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Marketing Pessoal III
Fascículo 3 – Marketing Pessoal – O ESPAÇO SOCIAL
FIESC – Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina
SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
CTAI – Centro de Tecnologia em Automação e Informática
Coordenação: Direção de Educação e Tecnologia: Paulo Rech
Técnica responsável: Margarete Kleis Pereira
Consultora: Ethel Scliar Cabral
Conteúdo e Redação: Bianca Mancini
Assistente de Redação: Adreia Schmidt Passos
Ilustrador: Ricardo Cordeiro Manhaes
ACIC - Associação Catarinense para Integração do Cego.
Adaptações: José Júlio C. Ramos
Revisão: Marcilene A Ghisi
O ESPAÇO SOCIAL
Nenhum indivíduo encontra-se totalmente alienado do mundo que o cerca. Você vive em sociedade, relaciona-se com outras pessoas e tudo que faz afeta, de uma forma ou de outra, aqueles que o cercam. Ao elaborar seu plano de marketing pessoal, é importante que tenha consciência dessas inter-relações. Ao final deste fascículo, você saberá a importância das redes de apoio, como criá-las e manter seus vínculos. Conhecerá também a importância da mídia e as ações que pode adotar para ocupar espaço nos veículos de comunicação, inclusive com ajuda profissional do assessor de imprensa. Descobrirá também que existem inúmeras entidades e organizações onde pode desenvolver um trabalho comunitário, que propiciará seu desenvolvimento pessoal e lhe dará maior visibilidade, pois embora o retorno financeiro seja, muitas vezes, o objetivo do marketing pessoal, ele não é o único, nem exclui a satisfação de realizar um trabalho bem feito e útil. Bons estudos!
Acredite em você
Imagine uma criança comum, com algumas dificuldades na escola. Imagine um jovem estudante assim, no século passado, que não conseguisse acompanhar a rígida disciplina imposta pelo sistema escolar! Que dificuldades não encontraria para concluir seus estudos? Ainda mais se fosse filho de uma família pobre, sem possibilidades de pagar um reforço ou professor particular! Mas vamos continuar acompanhando a vida dessa criança através dos anos. Apesar de todos os problemas, era muito curiosa, mas preferia ler fora dos bancos escolares. Um de seus professores chegou a dizer: – “Esse menino não vai servir para coisa alguma! É um péssimo exemplo para os colegas!” E talvez fosse, do ponto-de-vista dos diretores: chegou a ser suspenso várias vezes. Aos trancos e barrancos, termina os estudos e ingressa na Universidade, sem nunca ser considerado um aluno excelente. Aliás, estava tão cansado dos estudos, que depois de se formar em Matemática e Física, ficou um ano inteiro sem abrir uma revista especializada nessas áreas. Tentou obter emprego como professor-assistente na Universidade, mas não conseguiu. Deu algumas aulas em escolas secundárias, até conseguir emprego no Departamento Oficial de Registros de Patentes de Berna, Alemanha, graças à ajuda de um amigo. Foi então que se deu o grande salto. O salário era pequeno, mas dava para viver modestamente, sem preocupações e não exigia muito: sobrava tempo para pensar. E ele pensou. E pensou mais um pouco. E um pouco mais. E começou a escrever. Em 1905, publica três artigos brilhantes, que revolucionaram a Física. Dois anos depois, apresentando um dos artigos, tenta ingressar novamente na Universidade como mestre. Foi criticado duramente e ouviu um sonoro “Não”! Os amigos insistem: ele tenta de novo alguns meses depois e finalmente é aceito. Aos poucos sua reputação cresce, recebe convites de diversas universidades para dar aulas e acaba por demitir-se do emprego no Departamento de Registro de Patentes. Imagine a cara de espanto de seu chefe, que nem sonhava que era um cientista que ali trabalhava! Seu patrão achou que era brincadeira. Mas não era. No período posterior, o jovem professor teve encontros e discussões célebres com vários cientistas da época. Conquistou o Prêmio Nobel. Perseguido durante a Guerra, refugiou-se nos EUA, onde foi recebido por uma multidão que o aplaudiu entusiasticamente. Lamentou profundamente ter contribuído para o desenvolvimento da bomba atômica, e até o final da vida engajou-se em movimentos pacifistas. Foi convidado, inclusive, para ser Presidente de Israel, país recém fundado, convite que recusou. De criança-problema e imprestável a presidente de um país! Que diriam seus professores de escola? Esse homem, chamado Albert Einstein, deixou um legado inestimável, tanto pelas suas posições científicas, quanto pela sua ética, sempre orientada pela Justiça e Caridade. Incompreendido na juventude, demonstrou na prática que as certezas não são inabaláveis e que tudo na vida pode se transformar. Inicie você também mudanças em sua vida: os desafios existem para serem superados.
1 – A Escala de Maslow
Maslow, um cientista, criou um modelo relacionando as necessidades que motivam o ser humano a perseguir seus objetivos. Sua escala era composta de cinco degraus de necessidades: fisiológicas, segurança, amor, estima e auto-realização. Hoje existem modelos mais complexos (alguns incluem mais de quarenta fatores), englobando, por exemplo, as necessidades de informação e lazer. Mas para elaborar seu plano de marketing pessoal, a Escala de Maslow é simples e aponta para os principais elementos que se encontram por trás dos objetivos que movem a ação humana.
A – Enfrentando Mudanças
Adotar uma estratégia de marketing pessoal bem-sucedida trará uma série de transformações na sua vida. Uma mudança profissional talvez implique na necessidade de outros bens de consumo, mais status ou maior realização, que por sua vez lhe proporcionará maior autoconfiança. Tais mudanças afetarão a forma como as pessoas se relacionam com você e sua postura diante da vida. É importante estar preparado para lidar com essas transformações. Cada vez mais, um número de jovens profissionais, sejam executivos, atletas, artistas ou simples trabalhadores, conquistam rápida ascensão ou acumulam responsabilidades. Isso se deve principalmente à familiaridade dos mais jovens com a tecnologia e sua dinâmica de trabalho, maior flexibilidade e facilidade para adequar-se às mudanças. Acontece que, muitas vezes, a pouca idade não permite que o jovem profissional tenha suficiente preparo psicológico para enfrentar as transformações. É comum ouvir-se que “o sucesso subiu à cabeça”: o superior passa a tratar os subordinados sem o devido respeito, não tem mais a humildade de quando estava numa posição inferior, seu rendimento cai etc. Tão rápido quanto subiram, tais pessoas caem. Esse fenômeno, claro, não é exclusivo dos jovens: qualquer um que não esteja preparado para assumir uma posição de maior destaque pode se tornar arrogante. A diferença é que, com uma ascensão profissional precoce, o profissional não tem uma escalada cargo a cargo, que lhe permitiria uma adaptação paulatina. Esteja ciente das transformações que podem acontecer na sua vida, tanto boas quanto ruins. O importante é a maneira com que você se posiciona diante delas. Encare cada mudança como um novo desafio: depois de atingir seus objetivos iniciais, concentre-se em novas conquistas.
B – Identificando mudanças
Nem sempre uma conquista é tão explícita como, por exemplo, uma promoção no seu emprego. Na maioria das vezes, as mudanças acontecem de maneira sutil, sem que sejam valorizadas ou até mesmo notadas. Pense na sua vida e perceba o quanto já evoluiu. Se no começo você era um funcionário ou estudante tímido, que passava desapercebido e seus colegas nem sabiam seu nome, talvez agora já seja uma pessoa participativa, que dá sugestões, faz críticas e ainda executa um trabalho exemplar, tendo seu círculo de amizades. É uma grande mudança, é uma mudança de base, onde ocorreu um amadurecimento de sua personalidade para um modo de ser mais condizente com o perfil profissional solicitado. É um grande passo para galgar novos degraus e posições. Esse tipo de transformação pode ainda não ser o suficiente para alcançar os seus objetivos maiores, mas sem dúvida provoca alterações no seu cotidiano. Uma mudança nunca vem desacompanhada: sua autoconfiança aumentará se souber valorizar as pequenas transformações que acontecem em sua vida. Reconhecer as mudanças é uma maneira de se afirmar e ver que seu esforço não é em vão.
C – Mudanças no meio social
As transformações ocorridas durante o processo de implantação de seu projeto de marketing pessoal estão acompanhadas de uma rede de outras mudanças. Observe, por exemplo, a maneira como as outras pessoas passam a recebê-lo. Os outros reagirão a sua nova postura, emprego, status etc. E essas reações nem sempre são positivas: podem ser de interesse, bajulação, ou até mesmo de inveja, simultaneamente com a admiração e o respeito. Cabe a você discernir quem é quem e como transitar por esse novo círculo que se cria.
O admirador
Parabéns, você tem um fã! Aproveite que alguém o admira para não decepcioná-lo e utilize isso como um estímulo para você mesmo.
Respeitador
Respeito é bom e você, com certeza, gosta. Assim como é tratado com respeito, trate os outros com o mesmo respeito, independente da sua posição social.
O bajulador
Ao contrário do respeitador, este vive lhe cobrindo de elogios ou “presentinhos”, normalmente querendo alguma coisa em troca.
O invejoso
Na sua frente ele é seu amigo, mas por trás costuma fazer intrigas ou fofocas para ocupar a sua posição. Mantenha distância.
2 – Colhendo frutos
Já diz a sabedoria popular que cada um colhe o que planta. O empenho em plantar esforço e trabalho dá bons frutos. As motivações que lhe fizeram adotar uma estratégia de marketing pessoal finalmente se concretizam em resultados. Desfrute das suas conquistas sem culpa. Quando colher os frutos do seu trabalho, lembre-se que eles são resultado de seu esforço e por isso devem ser bem cuidados. Uma só semente bem plantada dará fartas colheitas. Suas vitórias interligam-se: o bom desempenho no trabalho traz uma nova posição, que traz mais confiança, possibilidades de uma casa nova com novos vizinhos, que podem se tornar novos amigos, novos sócios e assim por diante.
3 – Investindo em Você
No seu dia-a-dia, nos lugares que freqüenta por hábito ou por necessidade, é que seu marketing se concretiza. As aplicações de seu plano de marketing se estendem nas mais diversas áreas, refletindo sua imagem, história e conceitos individuais. Você está inserido socialmente em diversos grupos, que abrangem mais do que somente sua área de atuação profissional. Bons contatos podem se esconder em encontros casuais e você deve estar preparado para tirar proveito das ocasiões que aparentemente pouco podem lhe oferecer como retorno de seu esforço. É bem possível que sua maior motivação em seu plano de marketing se relacione diretamente com ganhos financeiros, mas, para elevar seu nível de qualidade de vida, você deve saber se situar e colocar-se em todos os outros meios por onde circula, não somente os profissionais.
A – Faça sua parte
O que muitas vezes é apontado como “fazer sua parte” na sociedade ou na sua comunidade é o engajamento e a aplicação de seus conhecimentos e habilidades individuais no convívio social. Seu marketing também está vinculado com a atuação diária, seu posicionamento nas situações corriqueiras e instituições nas quais se insere. Saiba posicionar-se, colocar suas idéias, colaborar para a concretização de ideais comuns. Aqui, seus benefícios não estarão ligados diretamente a um maior ganho monetário: o retorno surge através de outras gratificações, como a troca social, ampliação do círculo de amizades e colaboradores ou concretização de planos pessoais. São projetos de difícil realização só com esforço individual, mas que, com o engajamento em entidades sociais, tornam-se viáveis. Sua participação é importante. Valorize-se socialmente: faça-se presente através de atitudes positivas, buscando soluções e colaborando nos objetivos de interesse comunitário. Lembre-se de que você tem um compromisso com a sociedade.
B – As motivações
Existem inúmeras motivações que movem cada ser humano em busca dos objetivos os mais diversos. Talvez você queira melhorar os aspectos relacionados a sua qualidade de vida. Mas que aspectos são esses? E por que transformá-los? É uma necessidade? Um desejo? Uma pressão social? Analisando suas motivações, você poderá verificar como conquistar o retorno necessário ou até mesmo redimensionar tais motivações. O bom direcionamento das forças motivadoras é o fator responsável para um máximo aproveitamento de seus esforços na conquista de seus objetivos. A escala de Maslow, descrita no Fique por Dentro na página dois, é um bom orientador para você descobrir o que se esconde por trás de seus objetivos. Essa escala engloba algumas das motivações usualmente definidas como molas impulsionadoras de ações no marketing pessoal, tais como necessidade de status, poder, auto-realização, bem-estar.
C – Status
Conquistar status significa que o que lhe move é o desejo de reconhecimento pelo trabalho que realiza, atingindo posicionamento social (financeiro ou profissional) pelo qual será facilmente identificado. Como conquistar status está diretamente ligado ao seu plano de marketing. É possível ter a sensação de status através de uma bela moldura: uma boa vestimenta, imagem de impacto, bens de consumo, residência em local privilegiado, entre tantos outros aspectos que possuem um cunho valorizado pela sociedade. Mas você também pode conquistar status por projetos inovadores em sua profissão, trabalhos na área social, ou colocações que são reconhecidas por aqueles que o cercam como importantes e significativas. O status geralmente está diretamente relacionado com uma posição de liderança.
Atenção!
A conquista de status pode ser um passo para a conquista de outros objetivos sociais ou profissionais, mas também pode ser ponto negativo: algumas empresas ou círculos sociais em que o foco está na igualdade de todos os membros participantes, símbolos de status, que são diferenciadores e possuem um aspecto de “superioridade”, podem causar uma impressão negativa.
D – Poder
Você acha que o desejo de poder é a força que o move? O que é poder? O poder envolve muito mais do que dar ordens, comandar. Poder é uma grande força associada à capacidade de realizações. Existem múltiplas formas de poder:
Econômico – Quando, pelo poder aquisitivo, são exercidas pressões sociais.
Político – Quando um grupo une-se e passa a ser representativo em suas posições ideológicas.
Intelectual – Quando por deter uma informação ou conhecimento as pessoas conseguem atingir seus objetivos.
Social – Quando as pessoas envolvem-se em torno de uma luta de caráter comunitário.
Lembre-se
O poder econômico é hoje uma das formas mais eficazes de exclusão social. Mas essa exclusão pode ser superada, se você investir em outras formas de poder que possam ter igual peso ou superior na luta para atingir seus objetivos. A falta de dinheiro não é desculpa para não realizar seus sonhos. Você pode, com a ajuda do plano de marketing, assumir a postura de quem busca soluções pelo engajamento comunitário para superar as barreiras financeiras impostas pela sociedade atual.
E – Auto-realização
A auto-realização é uma das motivações mais difíceis de detalhar e definir, pois depende única e exclusivamente da própria pessoa. É você quem sabe o que o faz feliz ou não; é só você quem pode optar pelo desafio que julga mais instigante. As maneiras de se auto-realizar são tantas quanto são as individualidades. Uma pessoa pode se auto-realizar retransmitindo seus conhecimentos, ajudando a educar, engajando-se para melhorias estruturais no seu bairro, dedicando-se à família, aprofundando seus conhecimentos ou crescimento espiritual: todos esses fatores são associados a sua auto-realização. A capacidade de sentir-se bem ou não varia muito conforme a sua vida, as experiências porque passou e, inclusive, por características genéticas, que nascem com você mesmo. Mas sabendo identificar o que o agrada e o que o desagrada e quais as razões disso, você poderá melhorar sua qualidade de vida adotando, muitas vezes, medidas simples e de baixo custo.
F – Bem-estar
As necessidades de bem-estar podem tanto estar associadas a aspectos físicos, quanto psicológicos, mentais ou espirituais. Entender quais os elementos que contribuem para o seu bem-estar é um passo importante para que você possa estruturar as ações necessárias para atingi-lo. Lembre-se também que o bem-estar não é um conceito absoluto: varia conforme sua idade, a forma como você se vê e se coloca no mundo e a própria história da humanidade. O significado de bem-estar na Antigüidade era completamente diferente daquele que hoje existe, assim como esse conceito modifica-se se você vive em uma grande cidade ou numa pequena vila do interior.
Todas essas motivações, pouco a pouco incorporadas em seu plano, darão consistência as suas ações, transformando a você mesmo, sua vida e aqueles que o cercam. São transformações que se tornam mais fáceis se você contar com uma rede de apoio sólida e bem construída.
Lembre-se…
As conquistas nem sempre são materiais: um carro novo ou uma casa própria são apenas os instrumentos para você obter conforto, segurança, bem-estar físico, intelectual, psicológico e espiritual. Invista em você!
Tipos de bem-estar
Físico
Sentir-se bem com o próprio corpo, ter energia e saúde, viver em um ambiente limpo, organizado e seguro são alguns dos fatores que contribuem para a manutenção desse bem-estar. Talvez isso exija mudanças radicais no seus hábitos de vida, tais como mudanças alimentares, prática esportiva, distribuição de tempo para trabalho e estudo, lazer e descanso. Pode incluir também a exigência de mudar de área profissional. O bem-estar físico não está diretamente associado a grandes volumes financeiros, pois caso isso fosse verdade, todos que tivessem dinheiro estariam gozando de saúde – o que não ocorre.
Psicológico
Estar em paz consigo mesmo e com os outros, conseguindo manter uma postura frente à vida equilibrada, é um reflexo do bem-estar psicológico. Não é fácil conquistá-lo: pressões sociais, a velocidade atual das mudanças econômicas, políticas e tecnológicas, a ruptura de estruturas familiares, a instabilidade, falta de perspectivas e uma série de outros fatores vêm contribuindo para que o stress, a agressividade, a depressão e a angústia tornem-se presentes no dia-a-dia de pessoas de todas as idades e classes sociais. Talvez você necessite rever alguns valores pessoais, até mesmo buscar ajuda profissional ou apoio de amigos para encontrar seu ponto ótimo psicológico, aprendendo a viver um dia de cada vez, sem perder seu horizonte de longo prazo.
Intelectual
O bem-estar intelectual acontece quando você consegue comunicar-se plenamente, aprende e produzi utilizando amplamente suas faculdades mentais. Muitas pessoas consideram-se “burras”, confundindo conhecimento com inteligência. Existem várias formas pelas quais a inteligência se manifesta e o fato de alguém não dominar um ou outro aspecto da inteligência não significa que é inferior ou incapaz. Algumas pessoas também foram durante tanto tempo subestimadas, chamadas de “burras” ou ouviram que faziam tudo errado que sua auto-estima ficou reduzida. Resgatar e descobrir seus potenciais e seu próprio valor é fundamental para que você consiga sentir o bem-estar intelectual. Proponha-se desafios, tenha orgulho de suas realizações, abra os olhos para o mundo que está ao seu redor, em constante mutação, e deixe que suas idéias venham à tona: com certeza você mesmo se espantará do quanto pode fazer!
Espiritual
Em um mundo materialista, onde a aquisição de bens é cada vez mais valorizada, o lado espiritual tem sido deixado de lado e até mesmo renegado como algo inútil. Muitas pessoas ressentem-se disso, sentindo um vazio difícil de ser definido. Talvez você necessite reencontrar um objetivo em que tenha fé. Isso não significa voltar-se, necessariamente, para a estrutura de alguma religião convencional, embora espiritualidade e religião estejam intimamente relacionadas. Pode ser, apenas, dedicar um tempo para apreciar os mistérios da Natureza, a magia da vida e pensar sobre tantas indagações que sempre envolveram o homem: de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? A espiritualidade pode dar uma nova dimensão ao seu plano de marketing pessoal, que irá adquirir uma perspectiva maior.
Uma boa pergunta vale mais do que qualquer resposta. Pense naquilo que deseja descobrir: você encontrará o caminho.
3 – Redes de Apoio
Para que sua estratégia de marketing pessoal seja realmente eficiente é importante entender como funcionam as relações na sociedade. Pense nessas relações como um castelo de cartas que você vai construindo: uma base sólida, que vai se estreitando até chegar ao topo: você. Cada carta foi milimetricamente equilibrada de maneira que a estrutura suporte o peso das demais. As cartas que estão abaixo do topo servem de alicerce para lhe manter numa posição estável: são redes de apoio. Se qualquer uma dessas cartas for retirada de sua posição, gera um desequilíbrio e toda a rede construída pode ir para o chão. Assim são as relações que você vai construindo ao longo de sua vida e que lhe permitem chegar aonde você quer. Tudo está interligado: são redes profissionais, familiares, de amizades e que devem ser conservadas.
A – Saber agradecer
Se você conseguiu ser bem-sucedido em seu emprego, outras pessoas participaram dessa conquista. Você certamente não chegou aonde está sozinho. Durante sua trajetória, várias pessoas lhe transmitiram informações, deram-lhe apoio, confiaram em sua capacidade. Elas merecem seu “muito obrigado”. Agradeça aquele seu amigo que conseguiu um emprego modesto na firma em que você é hoje supervisor, ou aquele outro que o ajudou em seus estudos. Por que é importante agradecer? Por vários motivos. Quem não tem o hábito de agradecer acaba construindo uma imagem negativa a seu respeito. Se não reconhece o valor dos outros, por que os outros deveriam valorizá-lo? Com uma postura assim, é difícil obter o apoio dos colegas quando se precisa. As pessoas gostam de ser lembradas e reconhecidas. Você também apreciaria se um colega o agradecesse por um antigo favor. Pode parecer estranho ligar para uma pessoa que você não vê há muito tempo para exprimir seus sentimentos de amizade. Mas pode ser extremamente gratificante conversar com aquele antigo chefe que acreditou em seu potencial, aquele amigo de longa data que lhe abriu as portas para o mercado de trabalho: conte como você progrediu na profissão, reforce que o impulso que lhe deram foi fundamental e importante. Talvez seja uma boa oportunidade de retribuir um antigo favor.
B – Lembrar para ser lembrado
O seu marketing pessoal está diretamente relacionado ao modo como você se comunica e trata as pessoas que estão a sua volta. Faça-se notar! Lembrar dos outros é uma maneira sutil de fazer com que os outros lembrem-se de você. Há várias maneiras delicadas de marcar presença. Faça uma lista com as pessoas de seu convívio, seus colegas de trabalho, amigos, familiares, pessoas importantes com as quais você perdeu contato, prestadores de serviços e clientes. Liste seus telefones, endereços e datas de aniversário. Assim, fica mais fácil no final do ano mandar os tradicionais cartões de boas festas ou um cumprimento gentil pela passagem do aniversário. Pode parecer uma atitude banal, mas faz muita diferença: você vai passar uma imagem educada e responsável, o que conta muitos pontos na hora de uma indicação ou carta de recomendação. Da mesma maneira, quando encontrar algum conhecido na rua, cumprimente, converse, mesmo se desconfiar que ele não o reconhece mais. Lembrando-se dos outros você reforçará sua imagem e sempre será lembrado.
C – Mantendo laços
É normal que as pessoas que fazem parte da sua rede de apoio mudem com o passar do tempo: novos interesses, novos círculos profissionais, familiares, sociais. Mas procure manter os laços. O mundo dá voltas: nunca se sabe quando aquela pessoa que está afastada do seu convívio hoje poderá ser uma peça chave para que você atinja seus objetivos.
Exercite os contatos
Um bom exercício para manter contato com sua rede é, todos os dias, quando seu tempo estiver mais livre, telefonar para uma ou duas pessoas com as quais você se relaciona ou já se relacionou. Fazendo isso manterá os dois tópicos anteriores (saber agradecer e lembrar para ser lembrado) e fortalecerá os laços. Uma boa conversa, mesmo que por telefone, pode render bons frutos: você terá oportunidade de informar-se sobre projetos de colegas seus, discutirá dúvidas, terá novas idéias – as portas começarão a se abrir!
D – Ampliando a rede
Por mais que você tenha uma grande rede de profissionais e amigos que interajam com você, esteja aberto a novas pessoas. É muito fácil ampliar sua rede de relações, principalmente se você já tiver uma boa rede formada. As suas relações são também seus contatos. Bons contatos geram novos contatos. Para estar sempre trocando idéias e experiências concilie sua vida profissional e social. Um happy hour com os amigos, um passatempo ou esporte que exija contato com outros, uma convenção de profissionais da sua área são boas maneiras de conhecer novas pessoas. Utilizar a mídia é outra forma de ampliar sua rede de relações.
4 – A Mídia
A comunicação é peça fundamental no seu plano de marketing. Ninguém que fica trancado dentro de casa, sem se expor, pode esperar que os outros construam uma imagem a seu respeito. A comunicação engloba desde um bate-papo com o vizinho, até a maneira com que você transmite suas idéias numa reunião de negócios. O jeito que você se veste, o tom de sua voz, o modo como gesticula e sua postura também transmitem sua personalidade.
Essas são maneiras de se comunicar diretamente, para poucos indivíduos. Porém, para se ter uma comunicação eficiente na sociedade atual, é preciso contar com uma rede mais ampla de receptores. É nesse momento que entram os veículos de comunicação, cujo alcance acompanharam o avanço tecnológico da sociedade. As cidades foram crescendo: para saber as últimas notícias não bastava apenas uma conversa com a vizinhança. Era preciso de outros meios para se tomar conhecimento do que acontecia na política, economia, no bairro, no país e no mundo. Os jornais impressos foram se desenvolvendo. Tempos depois começaram a surgir os radiojornais e mais tarde os telejornais. Atualmente existem múltiplos meios para facilitar a difusão das informações. Basta saber como usá-los.
A – Usando bem a mídia
A dificuldade maior para estar na mídia de forma positiva é a restrição desta em fazer aparecer pessoas que não são consideradas “autoridades” no assunto. Entretanto, existem maneiras de se penetrar nesse universo, disponíveis para o mais comum dos mortais. Os meios de comunicação são ávidos por assuntos novos, inéditos, que atraiam o interesse do público. Muitas vezes esses assuntos estão acontecendo perto de você, sem que a mídia tenha acesso a eles. Os jornais possuem serviço de pautas, onde um responsável apura os assuntos mais importantes daquele dia. O problema de buracos na sua rua, o movimento de limpeza das praias que você está organizando, o estudo científico que está desenvolvendo, ou resultados que superam as expectativas em seu trabalho podem virar notícia. Para isso você deve manter a comunicação com a mídia, mandando pequenas notas por escrito, chamadas releases (pronuncia-se rilízes), telefonando, visitando pessoalmente as redações ou até mesmo escrevendo cartas. Por outro lado, se você é uma pessoa constantemente solicitada por jornalistas, deve tomar certos cuidados para expor-se positivamente em seu marketing:
- Trate bem o profissional que irá entrevistá-lo.
- Procure não recusar entrevistas: se isso se tornar um ato corriqueiro, com o tempo você não será mais chamado.
- Dar entrevistas e declarações é uma ótima forma de aparecer, tire o máximo proveito da situação e pense bem no que vai declarar para evitar aborrecimentos, preparando-se com cuidado.
B – Cartas
Os veículos impressos, jornais e revistas, sempre possuem uma seção de cartas destinadas à comunicação com o público. Essas seções são bastante procuradas pelos leitores, pois existe uma certa identificação em se ler opiniões escritas por outras pessoas na situação de leitores comuns e não de profissionais da área. Muitas vezes, sua opinião sobre determinada reportagem é a mesma de muita gente. Escrever uma carta para o jornal é uma boa maneira de mostrar o que você pensa, desfazer algum mal entendido publicado, chamar a atenção sobre algo ainda não abordado. Mas para que sua carta tenha o efeito que deseja, alguns fatores são decisivos:
- Escreva de maneira objetiva e sucinta. Um texto muito rebuscado e longo pode dispersar o leitor e o veículo não terá espaço para publicá-lo.
- Fale sobre um assunto que tenha interesse público: coloque-se na posição do leitor.
- Não cometa erros de português.
C – Entrevistas em rádio
O rádio é um dos meios mais imediatos de comunicação. Atualmente tem se percebido um aumento significativo do número de rádios comunitárias, que procuram assuntos voltados ao interesse da região que elas abrangem e essa é uma boa chance de utilizar a mídia com eficiência. Quando for dar alguma entrevista para rádio observe alguns pontos:
- No rádio, as frases devem ser curtas e em ordem direta, pois o ouvinte tem que assimilar o conteúdo na hora em que é falado. Se ele não entender a frase, não terá como ouvir de novo.
- Não substitua substantivos por pronomes que podem confundir o ouvinte.
- Mantenha a voz clara.
- Evite repetir palavras e rimas.
- Fuja de cacoetes e muletas de conversação: né, viu etc.
- Utilize um vocabulário dominado por todos: você não sabe exatamente quem o ouvirá.
D – Televisão
Assim como o rádio, a televisão é um meio de comunicação imediato e possui alto impacto. Com o advento das TVs por cabo e o número de canais, a necessidade de preencher o tempo disponível para programação aumentou. Muitos programas jornalísticos e de auditório têm relação direta com o telespectador: a cobertura de problemas na comunidade, enquetes com o público na rua e outros. Suas chances de aparecer na televisão são muitas e a repercussão é grande. Uma entrevista na televisão segue os mesmos princípios do rádio, com alguns detalhes a mais:
- Imagem é fundamental: esteja com uma boa aparência, cabelos bem penteados e limpos.
- Escolha bem a roupa: um terno, por exemplo, transmite credibilidade.
- Se você representa uma associação ou entidade, use a camiseta da mesma, fixando o nome da organização.
- Fale com pausas, caso o programa seja gravado para posterior transmissão. O material sofrerá uma montagem das melhores cenas. Assim, os cortes não truncarão a mensagem.
- Olhe para a câmara: a sensação do telespectador é de que você fala diretamente com ele.
5 – Onde participar
A atuação social não costuma ser muito valorizada nem estimulada na sociedade brasileira. Após um longo período de ditadura militar, onde muitos encontros de grupos e associações eram estritamente proibidos pelo governo e punidos pelas forças militares, ainda hoje mantém-se essa desestruturação da sociedade civil e existe um desestímulo ao convívio social com fins comunitários. Observa-se porém os grandes resultados obtidos nas mais diversas áreas onde alguns grupos se engajam em torno de um objetivo comum. Engajar-se em movimentos sociais não significa que irá abdicar de interesses pessoais ou sequer de lucro profissional. Você pode também buscar uma área de atuação ligada a sua profissão e seus interesses, desenvolvendo projetos comunitários ou mesmo ampliando sua rede de clientes e colaboradores através de pequenos serviços úteis a sua comunidade. Veja se pode se inserir em alguma dessas associações, valorizando-se social e profissionalmente pela atuação engajada. Muitas vezes o mais difícil é iniciar e motivar as pessoas, que não estão habituadas a se unirem através de associações de convívio social. A maioria acredita ser necessário muito tempo de dedicação, sem retorno financeiro. Mas além do voluntariado, algumas entidades, no entanto, possuem estruturas que remuneram os profissionais com dedicação exclusiva. O importante é encontrar uma área de atuação social onde você possa de alguma forma desenvolver-se para que seu plano de marketing pessoal contemple também a comunidade no qual você se insere. Mas onde participar?
A – Associações de bairro
Essas entidades congregam pessoas de diversas classes sociais, que juntas buscam soluções e alternativas para os desafios existentes em uma determinada área geográfica: o bairro. Algumas Associações de Bairro conseguem montar cooperativas para atender às necessidades dos moradores, outras prestam serviços em vários setores ou desenvolvem atividades educativas, desportivas e culturais no próprio bairro. Uma Associação de Bairro forte pode favorecer o desenvolvimento do indivíduo dentro da comunidade onde reside: é um recurso muito utilizado como meio de sobrevivência, principalmente nas grandes cidades, onde o fator localização é um diferencial importante na recolocação de profissionais. As Associações de Bairro, quando bem organizadas, têm grande força política municipal, sendo responsáveis pela eleição de muitos vereadores.
Lembre-se
Lembre-se que se deve organizar a atuação de cada pessoa, para que não sejam perdidas boas iniciativas na grande burocracia que restringe a maior atuação de entidades comunitárias. O ideal é que uma comissão seja designada para cuidar da parte burocrática, para que outros possam se desenvolver nas áreas de benefício direto.
B – Associações Estudantis
As associações estudantis podem ser organizadas tanto por estudantes universitários como em escolas de ensino básico. A valorização dos potenciais individuais para o benefício do grupo começa desde cedo e o estímulo à participação colabora para que se adquiram noções básicas de cidadania. Essas associações podem ter atividades desenvolvidas tanto com a participação do corpo docente, quanto sem ela, com desempenho exclusivo do corpo estudantil.
A atuação nas Associações Estudantis pode abrir portas para o mercado de trabalho, pois os alunos participantes interagem mais ativamente com a sociedade e desenvolvem habilidades essenciais ao desempenho profissional. Esse espaço também pode ser instrumento de atuação política: muitos políticos importantes no cenário atual destacaram-se primeiro nos movimentos estudantis. Assim tornaram-se conhecidos em seu meio e puderam, posteriormente, contar com uma rede de apoio, que amplifica a boa imagem social. Uma Associação Estudantil bem estruturada permite o desenvolvimento de atividades paralelas, tais como pesquisa e comunicação interna (rádios, jornais, folhetos etc.). São elementos que já divulgam os trabalhos e atividades dos alunos participantes, dando credibilidade ao currículo pessoal.
C – Associações de pais
A atuação nessa associação pode trazer transformações de extrema importância, pois o fator educação é fundamental no mundo de hoje. A melhoria das condições do ambiente escolar, da pedagogia e de todo o processo de ensino-aprendizagem só pode ocorrer com uma participação ativa dos pais. Também é um excelente ponto para formar uma rede de apoio. Sua colaboração, em qualquer área, ajudará a construir a imagem de um profissional competente e de um cidadão responsável.
D – Instituições religiosas
Atualmente as Instituições Religiosas assumem enorme papel na área social, como alternativa para omissões das entidades governamentais. Engajar-se nessas entidades não significa necessariamente desenvolver um trabalho religioso, mas sim a oportunidade de contar com organizações bem estruturadas onde você pode implementar seu próprio trabalho e participar contribuindo para a solução de problemas sociais. O desenvolvimento de atividades na área cultural pode ser endossado por entidades religiosas, que muitas vezes valorizam a educação associada à cultura.
E – Cooperativas
As Cooperativas são uma alternativa eficiente para contornar dificuldades de mercado. Unindo forças, cidadãos que não conseguem ingressar no mercado profissional podem abrir seu próprio espaço, obter créditos e financiamentos com mais facilidade, realizar compras com preços competitivos, ter assistência médica e jurídica etc. As associações profissionais também são um ponto-de-partida para uma atuação mais forte em seu ambiente: profissionais unidos reforçam a representatividade da classe e também criam uma rede de apoio eficiente.
F – ONG’s
conceito de Organizações Não Governamentais é apenas uma nova palavra para uma prática que sempre existiu socialmente: são os movimentos de associação voluntária e autônoma, tais como centros culturais, grupos de auto-ajuda, grupos de afinidade, entidades para defender alguma causa etc. Você pode também criar oportunidades através de uma ONG, propondo-se a desenvolver ou trabalhar por um ideal, reunindo-se com pessoas que se preocupem com a mesma causa. As ONGs são a solução encontrada por cidadãos que têm alguma causa pela qual pretendem lutar, mas não desejam se filiar a organizações partidárias ou a instituições governamentais. Elas subsistem com o patrocínio de empresas identificadas com seus objetivos, com a geração de recursos próprios ou verbas de fundos para Organizações Não Governamentais, que existem tanto no próprio país ou que provêm do exterior. Existem ONGs atuando nas mais diversas áreas: geração de emprego e renda, educação, saúde, cultura, preservação ambiental, direitos humanos, combate à fome etc. Seja qual for sua atividade, com certeza existirá uma ONG na qual você será útil e valorizado.
Seja responsável
- Mantenha a compatibilidade entre seu discurso e suas ações. Ninguém vai muito longe somente com uma lábia infalível, mas que entre em contradição com o que faz.
- Escolha onde aparecer. Esqueça a vaidade e restrinja-se aos territórios que você domina, onde pode ter participação ou aproveitamento real.
- Não queira participar de tudo: selecione áreas para cumprir seus compromissos e honrar sua palavra.
Bate-papo
P:Sinto-me um pouco culpado em não fazer nada para a comunidade. Mas vamos e venhamos: é realmente complicado! Nos dias de hoje, só dá para pensar mesmo em correr atrás do dinheiro e não sobra tempo para mais nada. Quando chego em casa, estou tão cansado que não quero saber de mais nada! Além disso, não tenho nenhum “dom” extraordinário para desenvolver tais atividades, como ensinar alguma coisa, brincar com crianças ou arrecadar dinheiro… Existe alguma alternativa viável para que eu possa me sentir útil, sem assumir um compromisso que tome muito tempo e que não exija alguma habilidade específica?
R: A sua situação é mais comum do que você pode imaginar. Vamos por etapas. Existem dois problemas apontados em sua carta: um, a falta de tempo. O segundo, você acredita não ter nada para oferecer. Quanto ao primeiro desafio, a falta de tempo, lembre-se que o dia tem 24 horas para todas as pessoas – algumas conseguem assumir muitos compromissos, outras menos. Aliás, existem estatísticas que comprovam que quem tem mais compromissos, acaba sempre arrajando um tempinho extra para fazer alguma outra coisa. É tudo uma questão de administrar prioridades. Além disso, existem muitas atividades importantes que não exigem assumir um compromisso permanente, tais como doar sangue. O problema, portanto, deve ser outro e não a falta de tempo.Tem medo de doar sangue e contaminar-se? Esqueça! Não existe risco algum e você estará salvando muitas vidas. O segundo problema apontado é a falta de habilidade específica. Com certeza, você está substimando seus potenciais. Não importa se você realiza um trabalho braçal, como ser um pedreiro ou encanador, ou se você é um vendedor ou gerente. Todas as atividades exigem capacidades importantes para o trabalho comunitário. Além de entrar em contato com a Associação do seu bairro, a paróquia ou Igreja mais próxima (ou outra entidade religiosa), ou a escola do seu bairro, uma boa alternativa é buscar a Central de Voluntariado. A Central possui um cadastro de entidades que precisam de voluntários. Dependendo de seu perfil e disponibilidade de tempo, a Central o encaminhará para a organização mais apropriada, onde você poderá contribuir de forma efetiva. Seja de que forma for, participe. É importante para você, é importante para todos.
Cuidado ao construir seu sucesso para não derrubar pelo caminho as fontes que o alimentam.
6 – ASSESSORIA PROFISSIONAL: assessor de imprensa
A função de assessor de imprensa é muito comum em empresas ou junto a políticos, artistas, desportistas e outras personalidades assediadas pela mídia. Mas muita gente que está começando separar uma parte de seus ganhos para contratar esse profissional, cujo trabalho trará bons frutos a médio e longo prazo. Ele exerce uma dupla função: tanto busca inserir nos espaços dos veículos de comunicação notícias relativas ao indíviduo (ou empresa e instituição) que representa, quanto orienta como proceder nos contatos com jornalistas, repórteres, entrevistadores etc. Por ser formado em jornalismo, domina as técnicas e a linguagem utilizadas por cada órgão, criando uma ponte entre o que você deseja transmitir e a mensagem que chegará ao público. Cada veículo possui seu estilo próprio, formatado para que o público identifique-se com ele. Respeitar esse estilo faz parte do trabalho do assessor de imprensa.
A – O que faz
O assessor de imprensa é peça-chave para realizar a ligação entre aquilo que você faz, seus objetivos e metas e aquilo que a mídia deseja veicular para o público. Sua ação pode tanto ser a de levar você até os veículos quanto, inversamente, trazer os veículos até você.
Indo até os veículos
O assessor de imprensa escreve as informações na linguagem do veículo para onde elas serão enviadas: são os chamados “releases” (pronuncia-se rilízes). O release, conforme o caso, pode ser na forma de uma nota jornalística, um comentário, uma informação destinada aos jornais e revistas, ou uma pequena chamada para rádio ou TV. Um bom release, atrativo e diferenciado, será inserido na pauta dos veículos: a pauta é justamente o roteiro das matérias que serão abordadas naquele período.
Trazendo os veículos
Conhecendo a pauta e as tendências do público, o assessor de imprensa irá sugerir que você direcione sua atuação para determinadas áreas. Com isso, poderá ser chamado pelos veículos para opiniar sobre determinados assuntos, ocupando seu espaço na mídia. O assessor de imprensa também pode intermediar convites para cobertura de lançamentos, eventos, premiações e marcar coletivas (quando vários jornalistas se reúnem para uma entrevista), destacando a importância de sua atuação. Ele faz também o “follow up”(pronuncia-se fólou âp), que é o acompanhamento da repercussão de suas ações na mídia.
B – Como é
- Formado em Jornalismo ou áreas afins, mas sempre credenciado como jornalista
- Excelente redação e comunicação oral
- Criativo: recomenda ações de interesse jornalístico
- Bem relacionado: conhece os veículos e outros jornalistas
- Bem informado e sabe detectar assuntos de interesse
c – Como age
O assessor de imprensa vai analisar, junto com você, seus interesses e objetivos, definindo o público-alvo que pretende atingir. Depois, irá selecionar os veículos mais apropriados para que você consiga atingir tais metas. Finalmente, traçará um plano, para que suas ações possam ter repercussão positiva junto à imprensa, tanto eletrônica (rádio, TV), quanto escrita (jornais, revistas). Irá preparar as materias (releases), cujo teor você aprovará previamente. Além disso, o assessor de imprensa o orientará como proceder durante entrevistas e contatos com jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas, discutindo as perguntas e questões que possivelmente serão realizadas, para que você dê as respostas mais significativas. Um bom assessor de imprensa não “mascara” nem deturpa as informações nem o jeito como você se apresenta: simplesmente faz com que você escolha o caminho mais adequado para comunicar-se melhor com o público.
D – Como escolher
A profissão de assessor de imprensa ainda enfrenta muitas barreiras junto aos jornalistas que trabalham dentro dos órgãos de comunicação, pois esses possuem a imagem de que o assessor não é isento naquilo que transmite. Por um lado, isso é verdade: é claro que tal jornalista não apontará o lado de negativo de seus clientes (e todos possuem um lado negativo!). No entanto, esta função é fundamental para ajudar as pessoas no trato com os veículos de comunicação, pois nem todos dominam as técnicas sofisticadas que hoje são utilizadas pela mídia e é exatamente nesse ponto que o assessor de imprensa presta uma ajuda indispensável. Escolha um assessor que acredite em você, identifique-se com suas propostas e que também goste do trabalho que realiza. Peça para olhar o clipping (pronuncia-se clípin), que é um relatório fornecido pelo assessor aos seus clientes, com tudo que saiu na imprensa: assim, você terá uma idéia dos resultados do trabalho desse profissional.
Atenção
Participar na mídia é um exercício de perseverança, excelente para você desenvolver suas habilidades de liderança e trabalho em equipe. Mas seus objetivos devem ser claros e de interesse público. Os profissionais sabem diferenciar uma notícia verdadeira de uma “propaganda” disfarçada. Não tente enganá-los. O resultado pode ser justamente o contrário daquele que você esperava.
7 – Agora é com você
Este é um teste de liderança. Hoje em dia, é tão importante dominar conhecimentos e habilidades, quanto saber trabalhar em grupo, coordenando interesses individuais para alcançar um objetivo em comum. Mas será que você é um bom líder?
Faça este teste para detectar áreas a serem melhoradas. Confira suas respostas com o gabarito que se encontra na última página, some a pontuação e depois verifique como é o seu perfil de liderança.
1. Para acabar uma relação, você…
a. Toma a iniciativa: se não existe mais nada em comum, porque deixar a outra pessoa se iludindo?
b. Distancia-se aos poucos, até que a outra pessoa fale em rompimento. Melhor não magoar ninguém…
c. Vai levando, até iniciar outra relação: depois decide o que fazer.
d. Provoca a outra pessoa, dá “alfinetadas”, até que simplesmente cada um vai para o seu lado.
2. Quando alguém elogia o seu trabalho…
a. Simplesmente diz obrigado.
b. Minimiza o elogio, para que o outro não se sinta inferiorizado, com frases como: “Imagina, foi fácil, qualquer um conseguiria!”
c. Amplia o elogio, para se valorizar, com frases como: “Realmente, deu muito trabalho, achei até que não terminaria em tempo!”
d. Desconversa e muda de assunto. Afinal, não fez mais do que a sua obrigação.
3. Na hora de uma promoção…
a. Apesar de seu trabalho ser muito bom, os “queridinhos” do chefe sempre passam a sua frente.
b. Sempre consegue ser promovido, mesmo que para isso tenha que passar por cima de alguém. Afinal, negócios são negócios, se você não fizer, alguém o fará e o prejudicado será você mesmo.
c. Sabe que “o que é do homem, o bicho não come”. Cedo ou tarde será promovido.
d. Faz pressão. Ameaça sair, se seu valor não for reconhecido.
4. Você está coordenando um grande projeto…
a. Dá o prazo final real, pois sabe que cada um vai cumprir a sua parte.
b. Dá um prazo antecipado, pois sabe que precisará corrigir falhas e cobrir alguns “furos”.
c. Estipula várias etapas, com prazos intermediários.
d. Faz com que os próprios participantes elaborem o cronograma e definam os prazos.
5. Um amigo está em situação difícil e lhe pede dinheiro emprestado…
a. Se tiver, empresta sem vacilar.
b. Empresta, mas combina quando e as condições de devolução do dinheiro.
c. Não empresta: sabe que acabará perdendo o dinheiro e o amigo.
d. Empresta em troca de algum favor ou trabalho – assim, seu amigo não se sentirá na obrigação de devolver o dinheiro.
6. Na hora de sair para jantar…
a. Você decide o que e onde comer: os outros o acompanham.
b. Os outros decidem o programa. Afinal, não importa o lugar, mas com quem você está!
c. Prefere um lugar novo, que nunca experimentou antes.
d. Prefere um lugar que já conhece bem e sabe que é bom.
7. Seu superior está “pegando no seu pé”. Você…
a. Tem uma conversa franca com ele, mesmo arriscando-se a perder o emprego.
b. Engole em seco e trata de procurar outra colocação para pedir demissão o quanto antes.
c. Procura o chefe do chefe e conta tudo que está acontecendo.
d. Tenta se superar, para que ele não encontre mais nenhum motivo para reclamações.
8. Numa discussão, quando alguém defende um ponto-de-vista diferente do seu, você…
a. Ignora: opinião não se discute.
b. Discute até vencer o outro.
c. Ouve, argumenta e depois muda de assunto.
d. Perde a calma: o outro é um ignorante mesmo.
9. Seu chefe pede para você participar de uma reunião importante à noite, justo no dia do seu aniversário…
a. Pede mil desculpas, mas diz que não será possível: já tem uma festa programada.
b. Liga correndo para todos os amigos e transfere a festa.
c. Vai à reunião, fica um pouco e sai. Mesmo assim, chega atrasado na festa e nem consegue aproveitar, pois está muito cansado e tenso.
d. Diz que não é possível, pois seu pai está no hospital.
10. Hoje em dia é necessário estar sempre aprendendo…
a. Você procura aprofundar-se em sua área de conhecimento, tornando-se um especialista.
b. Você faz cursos úteis para sua função, mesmo que não sejam específicos de sua profissão.
c. Você tem mil e um interesses e estuda tudo que pode.
d. Você se concentra em trabalhar bastante e exercer cada vez melhor sua função – só faz algum curso quando não tem outra saída (exigência da empresa, por exemplo).
Análise
Verifique agora seu perfil de liderança e, a partir dos resultados, reveja sua postura, maneira de agir e comportamentos.
33 a 50 pontos: Líder autoritário – Você consegue tudo que quer, mesmo que seja a ferro e fogo. Possui carisma e o grupo obedece ao seu comando: se não obedecer, você troca de grupo… Com isso, acaba se desgastando demais e acumulando muito trabalho e funções, deixando pouco espaço para outras atividades e uma vida mais equilibrada, além de impedir que os que o cercam possam crescer. Centralizando tanto as decisões, você também acabará por perder boas chances.
16 a 32 pontos: Líder participativo – Com equilíbrio, você consegue com que o grupo participe e interaja de forma harmoniosa. Muitas vezes, as pessoas nem percebem que é você quem está no comando. Mas no final, tudo acaba sempre saindo conforme o desejado. O único problema é que nem sempre seu valor é reconhecido, pois sua liderança é sutil.
Menos de 16: Líder benévolo – Você tende a levar ao extremo a máxima de que “a soma das partes faz o todo”. Nem sempre é assim. Embora todos amem sua chefia e coordenação, pois é paciente e acoberta falhas e problemas, pode com isso provocar a desagregação do grupo, que não consegue trabalhar de forma integrada, já que você evita assumir responsabilidades sozinho ou fornecer uma direção segura. Pense porque vem procedendo dessa forma, para impor-se com mais segurança.
Construa seu colchão de ar
O bom relacionamento com a comunidade onde se vive, sentindo-se útil e valorizado, pode ser obtido através do trabalho voluntário e cooperativo. Para exercê-lo, não é necessário muito tempo: basta vontade. Assim, você poderá alargar seus horizontes, ampliando seus objetivos imediatos e pessoais para alvos de alcance maior, que englobam toda a rede de relações onde você está inserido. Essa rede de relações funciona como um colchão de ar, que irá ampará-lo sempre que precisar. Mas ela necessita ser construída e mantida dia após dia. Nesse fascículo você pôde verificar como é possível encontrar saídas para uma ação gratificante e construtiva, cujos frutos você colherá ao longo do tempo. É claro que a convivência com os outros nem sempre é fácil ou tranqüila: existem pessoas com personalidades e posturas totalmente diversas daquelas que você possui. Saber como conviver com tais indivíduos de forma harmoniosa, conquistando seu espaço, respeitando o outro e sendo por ele respeitado é o assunto do próximo fascículo. Você saberá como uma boa convivência social é importante para o seu crescimento e como tirar partido disso.
Até lá!
RECORDANDO
A implantação de um plano de marketing bem estruturado provoca mudanças, o quê, por sua vez, irá alterar a forma como as pessoas relacionam-se entre si.
- Nem todas as mudanças são fáceis de identificar: algumas são sutis.
- A melhoria da qualidade de vida não está relacionada somente com o aumento dos ganhos financeiros, mas também com uma atitude de responsabilidade social.
- Existem inúmeras motivações que impulsionam o ser humano. Na Escala de Maslow, elas são classificadas como necessidades fisiológicas, de segurança, amor, estima e auto-realização. A busca por status, poder (econômico, político, intelectual, social) e bem-estar (físico, psicológico, intelectual, espiritual) encontram-se nessa escala.
- Uma rede de apoio é construída no dia-a-dia. Ela pode ser formada por familiares, amigos, colegas de estudo ou trabalho e até mesmo instituições.
- A manutenção de uma rede de apoio depende de determinadas atitudes: saber agradecer, lembrar dos outros, manter os contatos (mesmo que com um simples telefonema), interessar-se pelo que ocorre a sua volta.
- Para ampliar a rede de apoio, é importante participar de várias atividades, profissionais ou não.
- O uso da mídia permite amplificar o raio de comunicação, atuação e influência dos indivíduos.
- Existem várias formas de conquistar algum espaço nos veículos de comunicação, embora isso nem sempre seja fácil. É necessário apresentar notícias e informações relevantes para o público, opiniões de interesse comunitário etc.
- A participação nos veículos pode ocorrer por cartas, artigos, entrevistas, debates etc.
- Release é uma matéria escrita e enviada especialmente para divulgar alguma idéia, evento, fato etc.
- Para que a resposta seja a desejada, é necessário adotar certos comportamentos e atitudes, adequando modo de falar, vestir-se ou escrever conforme as características do jornal, revista, TV ou rádio visados.
- Existem muitas formas de participar na comunidade: Associações de Bairro, Estudantis, de Pais, Instituições Religiosas, Cooperativas, ONGs etc.
- O Assessor de Imprensa é o profissional responsável por orientar seus clientes nas relações com a mídia.
Aconteceu comigo
UMA REALIDADE DIFERENTE
“Quando voltei do exterior, onde fiquei estudando durante algum tempo, resolvi participar de alguma atividade comunitária aqui no Brasil. Lá fora isso é comum: todos fazem alguma coisa, por menor que seja, pela comunidade. Aqui, quando falei nisso, todos olharam-me com espanto! Mas por que seria? Só fui descobrir ao entender o processo histórico que aconteceu no país. Após o golpe militar de 1964, houve uma desarticulação de todos os movimentos não governamentais, que representavam focos de resistência à ditadura, muitos dos quais se dedicavam à educação popular. O ressurgimento de tais organizações só começou a ocorrer após a abertura política – e isso é muito recente. Várias entidades organizaram-se, tais como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimento dos Sem-Terra) etc. Mas na medida em que essas entidades consolidavam-se, acabavam por assumir uma postura corporativista e partidária, com engrenagens burocráticas. Além disso, seus programas abrangentes não conseguiam se adequar às diversas realidades locais. Os novos movimentos sociais estão surgindo para atender 50 milhões de brasileiros excluídos do mercado e cujo exercício pleno da cidadania necessita ser resgatado. São movimentos que buscam uma nova prática política, a qual não requer consenso, mas sim a compreensão de que pensamentos e ações heterogêneas podem conviver pacificamente, contribuindo para a conquista tanto de objetivos sociais quanto individuais. E é nessa luta que estou engajado.”
Fernando Camargo Reis,
Estudante
O DESAFIO DAS RELAÇÕES
Na aplicação do seu plano de marketing você enfrentará a convivência com pessoas com as mais diversas personalidades e estilos. Como saber tratar com cada individualidade, para que seu plano de marketing seja eficiente é o assunto do próximo fascículo. Não perca!
Na medida em que você conquista seu espaço social, seu plano de marketing abrangerá aspectos cada vez mais complexos. As relações interpessoais ampliam-se, podendo transformar sua vida em um inferno… ou paraíso! Mas isso já é o assunto para o próximo fascículo!
Tabela de resultados
Para cada questão, verifique a letra que escolheu e quantos pontos a sua resposta vale. Some a pontuação e confira seu perfil na página anterior, com as recomendações indicadas.
Pergunta 1:Resposta A vale 4 pontos. Resposta B vale 2 pontos. Resposta C vale 0 pontos. Resposta D vale 5 pontos.
Pergunta 2: Resposta A vale 4 pontos. Resposta B vale 0 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 2 pontos
Pergunta 3: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 5 pontos. Resposta C vale 4 pontos Resposta D vale 2 pontos
Pergunta 4: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 5 pontos. Resposta C vale 4 pontos. Resposta D vale 2 pontos
Pergunta 5: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 2 pontos
Pergunta 6: Resposta A vale 5 pontos. Resposta B vale 0 pontos. Resposta C vale 2 pontos. Resposta D vale 4 pontos.
Pergunta 7: Resposta A vale 5 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 2 pontos. Resposta D vale 0 pontos.
Pergunta 8: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 2 pontos. Resposta D vale 5 pontos.
Pergunta 9: Resposta A vale 2 pontos. Resposta B vale 0 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 4 pontos.
Pergunta 10: Resposta A vale 2 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 0 pontos.
Fascículo 4 - O Desafio das Relações
Nenhum plano de marketing pessoal poderá ser efetivo se você não souber construir relacionamentos sólidos, tanto profissional quanto afetiva ou socialmente. Um bom relacionamento depende das bases em que ele é formulado, depende de como ocorre o processo de comunicação entre as partes envolvidas, depende também dos contatos sociais e uma série de outros fatores. São esses os assuntos que você verá neste fascículo. Saberá também como interagir com aqueles que o cercam, como evitar falhas na comunicação e conhecerá a melhor forma de romper relações. Além disso, ficará por dentro do que faz o fonoaudiólogo, um profissional importante para ajudá-lo a comunicar-se melhor. Bons estudos!
A riqueza de um vagabundo
O final do século passado e a primeira metade deste foram períodos de grandes transformações sociais e econômicas. O rápido processo de industrialização trouxe a exploração da mão-de-obra infantil, a sobrecarga do trabalho operário, com jornadas que duravam, muitas vezes, mais de 15 horas diárias. Era um trabalho estafante, repetitivo e alienante. É nessa época que ocorre a Grande Depressão, com milhares de pessoas desempregadas e famintos perambulando pelas ruas, moedas desvalorizadas, inflação altíssima e falta de postos de trabalho. Um período conturbado, que presencia a Revolução na Rússia, o confronto entre capitalismo e comunismo, duas guerras mundiais sangrentas. Pois foi durante esse tempo que nasceu um menino talentoso, no ano de 1889, em Londres. Sua infância foi marcada por tragédias pessoais. O pai, alcoólatra, morreu quando ele tinha 12 anos. A mãe, psicótica, foi internada em uma casa para doentes mentais. Então o menino, juntamente com seu irmão, vai parar em uma instituição de caridade para órfãos. Durante dois anos freqüentou a escola – e essa foi toda educação formal que teve. Boa parte do tempo dormia pelas ruas e revirava o lixo em busca de comida. Até os quatorze anos fez biscates em diversos lugares. Eram tempos duros. Depois disse, começou a trabalhar como mímico. Aos poucos conquistava algum sucesso. Durante uma turnê pelos EUA, acaba por radicar-se nesse país, onde faz seu primeiro filme e depois inventa um personagem inesquecível: Carlitos, o vagabundo. Nascia um gênio, junto com o próprio nascimento do cinema. Seu nome: Charles Chaplin. Em 1917, Chaplin já era rico e famoso. Em 1920, junto com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith funda a United Artists para produzir e distribuir seus próprios filmes. A história poderia acabar por aqui, como a lenda de um homem que supera a infância difícil com seu talento. Mas não: ele enfrentará novas e severas adversidades. Seu primeiro filho morre poucos dias depois de nascer. Quando se aproxima dos 40 anos, é acusado de ser comunista. Jornalistas pedem para deportá-lo. O governo americano o persegue, sofre um processo para cobrança de impostos.
A imprensa passa a estampar manchetes sensacionalistas sobre sua vida amorosa. Durante uma viagem para a Inglaterra, seu visto de entrada nos Estados Unidos é negado. A exibição de seus filmes é boicotada e as sessões canceladas. Chaplin exila-se na Suíça, sem se intimidar com nada. Durante 20 anos não retornará aos EUA, mas sua influência continuou presente. Entre vários de seus filmes inesquecíveis estão: O Garoto, A Corrida do Ouro, Luzes da Cidade, Tempos Modernos e O Grande Ditador. Os EUA já não pode ignorar seu talento: em 1972, Chaplin retorna a Hollywood para receber um Oscar especial pela sua contribuição ao cinema. Morre aos 88 anos, sem cansar de repetir: “Mesmo quando eu estava no orfanato, mesmo quando eu estava catando comida pelas ruas para continuar sobrevivendo, mesmo assim sempre pensei em mim como o maior ator do mundo. Eu tinha a energia de quem acredita em si mesmo. Sem isso, qualquer um fracassa.” Pense nisso.
Fique por dentro – Comunicação e Vida
Há mais de setecentos anos, Frederico III, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico efetuou um experimento para descobrir a língua que seria falada por determinado grupo de crianças assim que crescessem. Para isso, orientou as amas de leite e mães adotivas que somente alimentassem e mantivessem as crianças com higiene, sem dirigir sequer uma palavra a elas. O resultado do experimento: todas as crianças morreram.
1 – Comunicação Eficiente
A comunicação é o elo de ligação entre as pessoas. É o processo pelo qual se desenvolvem as relações. Pela comunicação, transmitem-se não somente fatos, mas também idéias e sentimentos de indivíduo para indivíduo, tornando possível a interação social. Assim, a interação social ocorre quando se dá a reciprocidade entre seres humanos que se comunicam, fazendo com que esses se aproximem ou se afastem, se associem ou se dissociem. As pessoas possuem uma necessidade de transmitir informações e também de recebê-las: essa necessidade deve estar em equilíbrio, pois a harmonia desse processo é importante no marketing pessoal.
A – Fatores Importantes
O tipo de informação ou mensagem que você pretende comunicar ou acessar, as pessoas com as quais pretende falar são alguns dos fatores que direcionam o tipo e a forma da mensagem que você transmite ou recebe, para manter atualizada a forma de comunicação. Dependendo de quem envia ou de quem recebe a mensagem e quais os efeitos que se pretende atingir, são selecionados os meios de transmissão, linguagem e códigos. A maneira como tal comunicação ocorre conforme a escolha de um código, que necessita ser de comum compreensão entre o transmissor da mensagem e o receptor.
B – Mensagens sem Conteúdo
É comum ouvir a expressão: “Falou, falou e não disse nada”. Toda mensagem pretende transmitir algo, mas em alguns casos se diz que a mensagem “não tem conteúdo”, quando sua estrutura não corresponde às expectativas do público que a recebe. É o que ocorre, por exemplo, quando um político abordado subitamente sobre uma questão, cuja resposta o colocaria em situação constrangedora caso respondesse com precisão os fatos, opta por um infindável discurso com termos abrangentes e sem real significação. Mensagens “sem conteúdo” também podem ser identificadas entre “falsos intelectuais”, que emitem opiniões sem conhecer mais profundamente um determinado assunto: tentam aparentar domínio no tema que desconhecem.
C – Benefícios e riscos
Pode-se observar que as mensagens sem conteúdo têm sua utilidade específica, como desvencilhar-se de situações constrangedoras, mas existem riscos inerentes a tal procedimento. No caso do “pseudo intelectual”, seu falso conhecimento pode motivar o ouvinte a aprofundar um pouco a conversa e aí… o emissor ficará em desvantagem.
D – Como Proceder
Ao possuir poucas informações sobre um assunto, não se sinta ignorante: demonstre interesse pela área que desconhece e procure aprender mais. Demonstrar interesse em aumentar seus conhecimentos é bem mais seguro do que tentar transmitir conhecimento sobre um tema que não domina. Se você não se interessar pelo tema abordado, evite as mensagens nulas e substitua-as pelo simples esclarecimento de que o assunto não lhe parece sedutor e não deseja, portanto, aprofundar-se nele.
2 – Linguagem
A linguagem é o mais completo sistema de comunicação entre os humanos: não é inventado por nenhum indivíduo em particular, mas sim recebido pela educação e meio onde as pessoas se inserem.
A – Verbal
As informações trocadas acontecem em diversos níveis de consciência, tanto do emissor quanto do receptor. A sociedade atual baseia-se na informação verbal, transmitida tanto pelo código oral quanto escrito. As palavras escolhidas para serem ditas ou escritas, além de enviarem a mensagem que representam, simbolizam e estipulam, também, tipos de relações. Para dar um mesmo comunicado, você utilizará de diferente vocabulário e estrutura ao codificar a mensagem, caso se dirija ao chefe de departamento ou ao novo estagiário da empresa. As palavras utilizadas serão diversas e demonstrarão as relações existentes entre superior e subordinado. Além disso, também deverão estar de acordo com os conhecimentos e associações que possam ser realizadas pelo receptor. O novo estagiário dificilmente encontrará o local da reunião se, ao invés do endereço, constasse apenas o aviso “no mesmo local do ano passado”: essa referência só poderia ser compreendida por quem estivesse já há mais de um ano na empresa. Utilizar referências inadequadas é um dos erros mais comuns no processo de comunicação verbal, pressupondo-se por parte do outro um conhecimento que a pessoa não possui.
B – Corporal
O corpo “fala”: é indiscutível o grande diálogo que existe em uma luta de boxe, com seus próprios códigos, ação e reação dos participantes. Também é perceptível o indivíduo que está ansioso para se retirar de uma reunião: sua ansiedade é demonstrada, mesmo que não diga uma só palavra. A linguagem corporal, além de indicar estados pessoais, também possui simbologia comum entre indivíduos inseridos num mesmo contexto social. Alguns gestos simbolizam valores característicos de determinados grupos: utilizá-los em outros contextos pode acarretar erros na comunicação.
3 – Falhas na Comunicação
As falhas de comunicação são constatadas a todo instante. No entanto, se não há uma nova tentativa de comunicação ou controle do retorno, da resposta, para que haja um esclarecimento, muitas das falhas não serão nem detectadas: o entendimento será bem diferente, muitas vezes com mudanças extraordinárias em seu conteúdo, para emissor e receptor. Existe sempre um processo de triagem feito pelo sistema nervoso: as mensagens recebidas são selecionadas para uma reflexão e reação. Provavelmente, as falhas ocorridas durante a transmissão das mensagens captadas nem serão detectadas conscientemente pelo indivíduo.
A – Aprendendo a ouvir
As falhas de comunicação, ao contrário do que se imagina, poderiam ser evitadas através de uma melhor percepção do comunicador. Ele pode utilizar termos que só adquiriu após longo estudo, ou pode ficar com medo de enfatizar para o ouvinte o que lhe parece óbvio. Mesmo dizendo coisas em excesso, pode ainda parecer preguiçoso, por não oferecer informações preliminares. Portanto, a melhor forma de evitar esses mal entendidos é buscar o esclarecimento, assim que constatar possibilidade de falha de comunicação. A responsabilidade pela falha não é sempre do receptor: a omissão do esclarecimento é daquele que percebe o problema e mesmo assim não procura solução. Saber ouvir é tão importante nos processos de comunicação quanto saber falar.
Augusto Comte, filósofo considerado o pai da sociologia, afirmava: “Saber para prever, prever para providenciar”. É necessário estar atento a todas as informações que o rodeiam, não somente para chegar a conclusões, mas também para orientar mais rapidamente ou de maneira mais eficaz suas atitudes, principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho.
Vida Real
Silêncio, por favor! – A comunicação não se encerra somente com a transmissão e recepção da mensagem. Ela continua com a reflexão, interpretação e reação provocadas. Quando Mozart apresentava suas composições independentes pela Viena do século dezoito, os ouvintes, impressionados pela beleza e precisão de sua obra, costumavam elogiar posteriormente não somente as peças mas também seu silêncio. Após o processo de comunicação, antes de ser enviada a resposta, há o momento de reflexão sobre o estímulo.
B – Problemas Usuais
Para ajudar a aprimorar seu entendimento em situações cotidianas, podendo se posicionar de forma mais pessoal e singular, evite alguns fatores que normalmente causam distúrbios na comunicação. Entre os problemas mais usuais, responsáveis pelas dificuldades de entendimento de uma mensagem na comunicação, encontram-se a distração, limitações do receptor, presunção não enunciada e apresentação confusa.
C – Distração
Distração é o conjunto de todos fatores externos que não se relacionam nem com o significado nem com a interpretação da mensagem e nela interferem. A distração pode acontecer pela presença de um estímulo que cause distúrbios e esteja competindo na mesma modalidade da mensagem, ou por uma tensão ambiental, que não permita nível adequado de relaxamento físico e mental para a recepção da mensagem ou por tensão interna, como insônia, má alimentação, entre outros fatores.
D – Limitações do receptor
Esse fator pode ser observado no exemplo anteriormente citado, da indicação de um ponto de encontro para uma reunião, quando a compreensão da mensagem está ligada diretamente à alguma referência que não é de conhecimento do receptor. Também podem ocorrer diversas limitações em relação ao código utilizado: seria impossível entender uma mensagem escrita em língua desconhecida, mesmo que houvesse conhecimento do alfabeto nela utilizado.
E – Presunção não enunciada
Grande parte dos mal entendidos ocorrem por ser feita uma pressuposição: considera-se não haver necessidade de explicar algo, conclui-se que o que foi dito será interpretado como pretendia o emissor, mas na realidade será interpretado de acordo com a predisposição do receptor. Um exemplo de fácil visualização são as conversas ambíguas provocadas quando é feita uma referência a um nome próprio, sem que se perceba de que aquele nome remete a diferentes pessoas para cada um dos interlocutores. A grande atitude na boa comunicação, para evitar essas falhas, é a escolha das expressões e palavras adequadas. Para isso, você deve ter a capacidade de colocar-se no lugar do receptor, observando que seu meio, sua história e referências podem ser muito diversos dos seus.
F – Apresentação confusa
A clareza dos sinais emitidos é fundamental para o entendimento da mensagem. Mensagens com destaque ou ênfase em partes supérfluas, bem como supervalorização de informações de pouco valor são também responsáveis por falhas na comunicação. Dizer algo verbalmente e expressar-se com o corpo de forma contraditória também traz ambigüidades no processo de comunicação.
4 – Contatos Sociais
Os contatos sociais são a base da comunicação. Eles podem ser tanto primários quanto secundários e a vida moderna é baseada nessas duas formas de contatos. Pode-se notar as diferentes personalidades que se manifestam nos indivíduos conforme realizem mais contatos primários ou secundários no dia-a-dia.
A – Primáros
São contatos diretos, face a face, com alguma base emocional, pois as pessoas envolvidas compartilham experiências individuais. São os contatos de família, entre amigos, assim como colegas de estudo ou trabalho.
B – Secundários
São impessoais, formais e muitas vezes eventuais. Podem ser considerados como um meio para atingir um fim. É o caso do contato do passageiro com o cobrador do ônibus: ele existe somente com o intuito de pagar a passagem.
A urbanização e a industrialização aumentaram os contatos secundários necessários na vida cotidiana. O marketing pessoal pode auxiliá-lo na percepção dos níveis de contato mais adequados ao seu trabalho, a sua atuação social. Leve em conta suas características de personalidade para saber onde e a melhor maneira de aproveitar seus contatos sociais para valorizar-se, crescer individualmente ou trabalhar por um ideal coletivo.
C – Mensagens subliminares
Algumas mensagens são transmitidas indiretamente, de acordo com o conteúdo e a forma que a mensagem original toma. Pode se dar através de imagens que remetam a associações psíquicas ou também em certos jogos de palavras. As mensagens subliminares são muito utilizadas em publicidade, para estimular o consumo ou a fidelidade a algumas marcas, remetendo a sensações e identificações pessoais com o produto de forma inconsciente. É claro que esse recurso também pode ser utilizado em seu benefício.
5 – Encerrando relações
No seu plano de marketing pessoal, ao ter clareza de seus objetivos e meios, além de conquistar as pessoas que poderão ser grandes parceiras, há também o momento em que pode perceber que algumas das relações apresentam equilíbrio precário ou provocam situações desagradáveis: surge a necessidade de que tais relações sejam encerradas ou transformadas. Encerrar relações é tarefa mais complexa do que iniciá-las, pois implica em uma ruptura de algo que foi construído por você mesmo. Antes de riscar o nome de sua agenda de todos aqueles que lhe pareceram indesejáveis alguma vez ou de pedir demissão, analise como tais relações se estabeleceram, pois suas bases talvez possam ser modificadas. Muitas vezes, modificar suas atitudes acarreta em transformações na maneira como o outro estabelece o relacionamento com você.
A – Os Motivos
Diversos fatores podem ser responsáveis pelo término de relações.
Espaço Físico
Você passa a morar em outro bairro ou cidade e transforma seus hábitos e círculo de convívio social.
Objetivos
Suas perspectivas modificam-se com o passar do tempo, sua personalidade sofre mudanças, enfim, o próprio crescimento individual faz com que surjam novas necessidade e oportunidades, que fazem com que você busque outras relações, sejam profissionais, sociais ou afetivas.
Fatores externos
Não só você sofre transformações: as pessoas com que convive ou mesmo a empresa onde trabalha também alteram-se. Talvez os rumos seguidos por cada parte sejam diferentes, o que leva ao término da relação.
São fatores naturais e fazem parte de qualquer processo onde exista troca e transformação dos indivíduos envolvidos. Para evitar mal entendidos e situações constrangedoras, ao encerrar relações, deixe clara a situação, os fatores que o levaram a essa decisão.
B – No trabalho
Não tente convencer os “fofoqueiros” da empresa que sua conduta é impecável. Simplesmente suma dos olhares indiscretos: assim você estará indiretamente, e ao mesmo tempo da maneira mais clara possível, demonstrando que não pretende estabelecer relações de competitividade.
Interromper relações comerciais não significa necessariamente romper relações afetivas ou sociais. Diferenciar os vários graus em que se dão os contatos é um dos maiores problemas quando se encerram relações: continuar no mesmo meio, construindo e estabelecendo outro tipo de troca de experiências.
Sempre deixe a porta aberta para possíveis trocas e parcerias no futuro. É impossível prever se amanhã um novo emprego ou amizade não o colocará em contato novamente com antigos companheiros ou colaboradores.
Nada de fofocas pelas costas e exposição de intimidades, nem as de âmbito profissional, justificando sua saída com comentários do gênero: “-Saí da empresa porque fulano de tal era muito invejoso”.
Enfrente as rupturas com coragem. Não fuja, nem se omita. Embora difícil, expor com tranqüilidade os motivos da mudança é importante para não destruir todo o trabalho que você teve anteriormente para construir as relações, seja na empresa, seja na família ou com os amigos. Para facilitar esse procedimento, antes de tomar a iniciativa liste os pontos positivos durante o período em que manteve os contatos: assim, será mais fácil não se deixar dominar por emoções de raiva e mágoa.
Atenção!
A comunicação envolve o conhecimento para se tornar uma ferramenta eficaz rumo ao sucesso. Sua eficiência é tanto maior, quanto mais verdadeiro for o processo, revelando seu retrato interior, de dentro para fora. Faça um inventário pessoal: Como você se vê? Como os outros o vêem? Como gostaria de ser visto? Como as pessoas reagem as suas palavras e sua imagem pessoal? São respostas necessárias para construir uma base sólida em seu marketing pessoal.
6 – As Bases da Relação
A palavra relacionamento é utilizada para definir uma série de situações, mas todas elas envolvem a capacidade de conhecer, conviver ou comunicar-se de forma recíproca com seus semelhantes. Um bom relacionamento com as pessoas a sua volta é imprescindível no marketing pessoal, pois o ser humano vive em sociedade: as pessoas são interdependentes e é praticamente impossível ficar totalmente isolado. A sociabilização do ser humano trouxe uma série de facilidades que permitiram sua evolução. As tarefas puderam ser divididas, a segurança e chances de sobrevivência tornaram-se maiores, ficou possível procriar a espécie mais facilmente: estes são alguns dos benefícios obtidos com a vida em sociedade e válidos até hoje, tais como a divisão de trabalho com colegas de emprego, amizades e família, que proporcionam conforto e segurança.
A – Tipos de Relacionamento
Os relacionamentos se dão em vários níveis: familiar, de trabalho, amizade, afetivos. A desarmonia em qualquer um desses níveis reflete-se nos outros. Por isso, é importante saber como manter uma boa relação em vários âmbitos. Iniciar um relacionamento é bastante fácil, mais difícil é mantê-lo: após algum tempo de convivência começam a aparecer defeitos, diferenças, anseios opostos ou outras desavenças. É necessário analisar a importância da relação e tomar atitudes para que o bom relacionamento se solidifique seja no trabalho, seja na vida pessoal.
B – Dar X Receber
Pare, olhe, escute. Observar as necessidades das pessoas com as quais você se relaciona é o primeiro passo para trocar experiências. Prestando atenção na forma como as relações ocorrem, fica mais fácil saber o que você pode dar e o que gostaria de receber. Não tenha medo de ser exigente demais: reconheça seu valor e sua importância no relacionamento, afetivo ou de trabalho, e aproveite tudo que os outros têm a lhe oferecer, da mesma forma como você deve procurar dar o melhor de si. Lembre-se que em uma relação é importante também saber ceder, pois nem sempre é possível conciliar diferentes expectativas. Talvez você queira um aumento salarial, mas a empresa não pretende, ou não pode, conceder o montante que você julga adequado: os interesses acabam entrando em choque. Analise se o que você exige da relação é realmente imprescindível e possível. Se concluir que é mesmo indispensável, não poupe argumentos para obter o que quer, mas saiba reformular suas exigências, caso necessário, pois isso demonstra maturidade.
C – Respeitar Diferenças
Com a convivência aparecem as inevitáveis diferenças entre as pessoas: temperamento, desejos e necessidades podem não ser compatíveis. Um bom relacionamento passa pela compreensão e o respeito mútuo dessas diferenças. É bastante comum casais que se separam, amizades que terminam ou trabalhos em equipe que não progridem porque os envolvidos não conseguem lidar com diferentes modos de ver a vida, projetos, objetivos ou formas de executar algum serviço. Acontece que cada um possui sua própria maneira de interagir com o mundo: por mais que uma pessoa se assemelhe com você, sempre podem surgir desentendimentos. Para melhor lidar com as diferenças, algumas atitudes são úteis.
D – Evite a Posse
Evite sentimentos de posse: querer tudo para si (inclusive os elogios), impede que os outros colaborem com você.
E – Conforme as diferenças
Verifique até onde suas diferenças são realmente intransponíveis com a maneira como o outro pensa e age. Tente amenizar pontos divergentes e abra mão daquilo que não é fundamental. Divergências são inevitáveis, mas as bases de uma boa relação passam pela tolerância, compreensão e respeito.
F – Seja realista
Em qualquer relação, na convivência familiar, social ou de trabalho, as pessoas projetam uma série
de expectativas. Muitas vezes, tais expectativas são sonhos impossíveis de serem realizados. Acreditar que na primeira entrevista de trabalho você já conseguirá o emprego e depois de um mês uma promoção não é um objetivo ou meta: é uma ilusão. Mantenha os pés no chão. Um casamento não é nenhuma garantia de felicidade, a amizade com o chefe não assegura uma promoção, o diploma não abre todas as portas. Entretanto, na maioria das vezes, acaba-se transferindo expectativas pessoais para o relacionamento. Expectativas em excesso ou irreais são um passo certo para que uma relação torne-se frustrante. Conscientize-se do que o relacionamento tem a oferecer e faça planos dentro desses limites.
G – Dê um tempo ao tempo
Cada indivíduo tem seu próprio ritmo de compreender uma situação, reagir a ela, elaborar um projeto, executar um trabalho, entre tantas outras atividades cotidianas. O ritmo poderá ser mais lento ou mais rápido que o seu, o que não significa que seja melhor ou pior: é simplesmente diferente. Respeite o tempo necessário de seus companheiros e colaboradores.
H – A Personalidade
Ao começar uma relação, é aquilo que você mesmo é que atrairá ou afastará as pessoas. É impossível agradar a todos: portanto, não vale a pena tentar mudar só para agradar seus amigos, subordinados, colegas de trabalho, chefes ou outras pessoas com quem convive. Esse tipo de comportamento acarreta uma imagem artificialmente construída da sua pessoa, o que torna uma relação a longo prazo inviável. Basta lembrar que mentira tem perna curta: não se pode enganar os outros sendo uma pessoa que não se é por muito tempo. É claro que a convivência pode fazer com que você deixe de lado certos hábitos e prazeres para assumir aqueles do grupo com que convive. Nem sempre isso se dá de maneira visível e nem sempre é desejado: pense nas coisas que gostava de fazer e abandonou desde que passou a conviver ou trabalhar em outro círculo. Era o que você realmente desejava? Tais mudanças podem ser extremamente frustrantes e negativas. Sua personalidade é única: não é mudando-a que você agradará mais aos outros. Pelo contrário, quanto mais você for firme em suas convicções, o que não significa ser inflexível, mais será admirado.
I – Confiança
A confiança permite que você amplie a troca de experiências com as pessoas com as quais se interage, pois a relação se constrói com transparência. Conquistar a confiança é um processo lento, mas para perdê-la bastam poucos minutos. Muitas das decepções de um relacionamento acontecem devido a atos inesperados de uma pessoa em quem se confiava. É o funcionário, sempre responsável, que, de um momento para outro e sem nenhuma explicação, deixa de executar o serviço em tempo hábil; ou então é aquela pessoa, pega em uma mentira ou omissão. Pode ser o chefe, que garante uma promoção ou bonificação extra para que um determinado serviço seja realizado e depois, com muitas justificativas, deixa de cumprir o prometido. Não importa a situação: o clima gerado destrói as bases do relacionamento e a motivação pessoal. Você pode fazer a sua parte, tomando atitudes que gerem confiança. Mas como saber em quem confiar ou não? Não existem regras: use sua capacidade de observar e sua percepção.
J – Respeitar Limites
Existem alguns limites a serem respeitados dentro de uma relação: os seus, os da pessoa com quem se relaciona, os determinados pela sociedade e os da relação em si.
Seus limites: são aqueles que dizem respeito a sua personalidade, ao que você aprecia, tolera, suporta ou não. Se achar que está sendo invadido ou desrespeitado, é melhor ter uma conversa franca e expor seus motivos: não deixe atitudes e fatos se acumularem.
Dos outros: Assim como você, os outros têm limites que devem ser respeitados. Use seu bom senso e ponha-se no lugar da outra pessoa: pense o que você acharia se os papéis se invertessem.
Da sociedade: As regras de convivência social também impõem limites. Existem limites legais (não matar, roubar etc.) e limites impostos pela cultura: ninguém vai a um enterro, por exemplo, vestido de forma espalhafatosa ou dando gargalhadas. Não é proibido por lei, mas não é socialmente aceito. Existem formas de convivência social que são esperadas daqueles que procuram um emprego, uma promoção, conquistar um cliente, manter uma relação afetiva ou uma amizade.
7 – Regras de Ouro
Dependendo do tipo, um relacionamento apresenta limites próprios. Observe-os e respeite-os. Por exemplo: o relacionamento com um chefe não ocorre da mesma forma que aquele que existe com um amigo. Essa sinalização é dada pelas regras de etiqueta, que já estiveram muito em moda: a etiqueta representa um referencial específico que qualifica graus sociais, formas de relacionamento e hierarquias. O fato de agora não se falar tanto em etiqueta não significa que ela desapareceu. Observa-se que as regras de etiqueta são hoje mais variáveis, adaptando-se ao ambiente proposto, aos tipos de relacionamentos mais ou menos liberais e às novas exigências tecnológicas. Existe inclusive uma etiqueta para comunicar-se pela Internet, que você verá no próximo fascículo.
A – Evite Situações Desagradáveis
Controle as expectativas:
Se esperar um grande encontro todas as vezes que sair de casa, um elogio cada vez que fizer um bom trabalho ou que todas as suas sugestões sejam aceitas de bom grado, corre o risco de se frustrar. Evite isso sentindo-se feliz por fazer tudo bem feito, sem depender da aprovação dos outros.
Seja adequado:
Vista-se, comporte-se, fale e se comunique de forma adequada com o ambiente, o local, a hora e as pessoas com quem está lidando. Assim, evitará ser agressivo ou parecer distraído desnecessariamente.
Fique informado:
A todo momento a história acontece ao seu redor e suas atitudes refletem e são reflexo do mundo no qual você está inserido. Manter-se informado facilita a comunicação e evita que você cometa algumas “gafes” difíceis de contornar.
Tenha bom humor:
Saber rir e fazer rir é a melhor maneira de demonstrar autoconfiança. Isso não quer dizer sair contando piadas sujas ou preconceituosas: a graça existe em um comentário espirituoso, em saber rir das próprias falhas.
Seja atencioso:
Nada pior do que falar com alguém ignorando o interlocutor: concentre-se, mesmo que por poucos minutos, no outro. Todos gostam de saber que alguém se interessa pelos seus problemas, dificuldades, sugestões. Elogie sempre, sem medo.
Evite lamúrias:
Lamentar-se o tempo todo não é agradável nem para quem ouve nem para você mesmo.
Reclamar da situação política e econômica pode ser uma maneira de demonstrar seus conhecimentos, mas lamuriar-se da vida é constrangedor: antes de simplesmente reclamar, procure as soluções.
Peça desculpas:
Pedir desculpas é fácil e não há vergonha, nem esquecimento, que dispensem um pedido de desculpas na hora do erro. Faça por escrito, faça oralmente, mas peça desculpas sempre que for responsável por algum problema.
8 – Aprendendo com erros
Todos cometem uma série de erros na vida. Alguns relacionamentos, tanto profissionais quanto afetivos, não dão certo apenas por pequenos detalhes, mas são detalhes de extrema importância para que as relações futuras sejam mais positivas. Os erros que foram cometidos não devem nem precisam ser repetidos: para isso é preciso extrair informações para aprender com eles.
A – Os Fatos
Não se assuste se parecer que os erros cometidos são sempre os mesmos. É comum as pessoas terem mais dificuldades em certas áreas do que em outras. Algumas são muito tímidas, outras gostam de exercer uma liderança excessiva. Existem as que temem assumir novos compromissos, ou que nunca conseguem chegar ao final de um projeto. Analisando os fatos fica mais fácil detectar os problemas para enfrentá-los. Mas o que, precisamente, são “fatos”? Fatos são acontecimentos reais e não hipotéticos. Ao pensar em fatos, exclua todos os “se”, elimine o que pensou ou sentiu, mas não disse e todas as especulações sobre a reação dos outros. Imagine alguém que está com dificuldades para cumprir suas tarefas no trabalho e por causa disso recebe sermões do chefe. Esse indivíduo chega em casa cansado, nervoso e briga com a família. Irritado, liga para um amigo e fica horas reclamando ao telefone – o amigo já não agüenta mais ouvir a mesma história todos os dias: “-Ah, se o chefe fosse mais compreensivo… Se eu tivesse aceito aquela proposta e mudado de cidade… Se eu não tivesse começado a trabalhar tão cedo e tivesse estudado mais… Se eu fosse solteiro… Se eu ganhasse na loteria…” Tem alguma coisa errada com essa história, não tem? Então é preciso analisar os fatos.
B – Análise
Existe um fato concreto, do qual estão se originando outros problemas: a pessoa está com dificuldades para cumprir seus compromissos no trabalho. Como resultado, as relações com o chefe, com a família e com os amigos estão se deteriorando. Um chefe mais compreensivo, ter ganho na loteria, não ter casado e uma série de outros fatores são meras hipóteses: o passado não pode ser alterado. É necessário descobrir por que os problemas estão ocorrendo no trabalho, para então tentar encontrar uma solução no plano de marketing pessoal. Houve mudanças no sistema de produção? Cortes na equipe, com sobrecarga de horas? Aumento de pedidos? Falta de motivação? Alguma causa física que possa estar afetando a produtividade, como uma doença? Detectando as causas é que se pode agir sobre elas, eliminando definitivamente o problema. Para cada causa,existe uma ou mais soluções, que podem ser encontradas em conjunto com os colegas de trabalho ou com o próprio chefe. Assim, o equilíbrio nas relações se restabelecerá. Mas nem sempre a análise é tão óbvia. Desde pequeno o ser humano constrói uma imagem muito pessoal sobre si mesmo, sobre o mundo que o cerca e sobre as relações humanas. São percepções e conceitos que se aprimoram com o passar do tempo. Esse olhar particular é o que o torna único, mas também pode vir acompanhado de uma série de preconceitos. Uma boa análise deve se despir de uma imagem preestabelecida, que muitas vezes mascara a verdade.
C – Ouvindo opiniões
Ouvir opiniões é o melhor caminho para perceber o mundo com outros olhos que não os seus, ampliando sua visão particular sobre determinado assunto. Trocar idéias faz parte do processo de aprendizagem, pois permite a expansão do seu contato com versões paralelas de uma mesma história, que certamente lhe serão úteis para aprimorar sua visão. Nessa caminhada, nem sempre clara, onde se aprende com os erros, a comunicação pode ser sua arma de desenvolvimento. Conversando com colegas você tem a oportunidade de receber críticas que serão úteis ao seu crescimento. Não receba as críticas e sugestões como reafirmações de seus erros, porque não o são: essa é uma maneira de aprimorar-se descobrindo o que os outros pensam.
D – Refletindo
Quando um jornalista vai escrever uma reportagem, ele apura o maior número de dados e depois reflete sobre a melhor maneira de transmitir o fato ao público. O mesmo ocorre quando se quer aprender com os erros. Depois de conhecer os dois lados da moeda, é necessário refletir sobre a melhor maneira de se superar. Não basta apenas saber que errou e que tem defeitos e agir como se fosse impossível mudar: seria como se o jornalista, após investigar os fatos, desistisse de publicá-los por serem muito complexos para retransmitir em poucas palavras. É preciso traçar estratégias para superar os problemas, por mais difíceis que sejam.
E – Seguindo em frente
O aprendizado ocorre com esforço e disciplina, pois na maioria das vezes os erros são cometidos de forma inconsciente e repetitiva. Analisar os fatos, ouvir opiniões e refletir são etapas fundamentais que proporcionam a conscientização das falhas. Depois, é necessário agir. Aprender com os erros é um processo gradual, onde o importante é a caminhada: não se deixe abater pelo primeiro deslize. O mais importante é que adote estratégias para reduzir erros que se repetem com freqüência, até o ponto em que serão eliminados. Mas prepare-se: não cometer mais os erros do passado não significa que estará livre de errar. Sempre podem surgir imprevistos, mas a medida em que se ganha experiência fica mais fácil lidar com eles. O processo de aprimoramento é constante: ter idéias fixas significa ver o mundo de maneira rígida e não em permanente mutação, como de fato acontece. Seja flexível e tolerante em relação as suas opiniões. Analise uma questão sob vários ângulos, inclusive do ponto-de-vista dos outros.
9 – Assessoria Profissional
A maneira como você se expressa, coloca sua voz, sua dicção, seu ritmo de falar, tom e volume, entre vários outros fatores, provoca diferentes reações por parte de quem o ouve. Muitas vezes, existem problemas, alguns de origem física, outros provenientes de traumas psicológicos ou até mesmo do desconhecimento ou má utilização do aparelho fonador, que podem interferir na eficiência com que o processo de comunicação se desenrola. O fonoaudiólogo é o profissional capacitado para auxiliá-lo a utilizar melhor esse importante instrumento no seu marketing pessoal: sua voz, além de trabalhar também com outros distúrbios de comunicação, inclusive leitura e escrita. Pessoas que exercem funções onde o aparelho fonador é muito exigido, tais como cantores, atores e atrizes, professores, políticos, locutores de rádio ou apresentadores de TV, entre outros, normalmente utilizam a assessoria de um fonoaudiólogo para manter-se sempre em forma. Mas qualquer pessoa que deseje melhorar seu desempenho vocal pode recorrer ao uso deste profissional. Além disso, um bom fonoaudiólogo, após analisar suas condições e necessidades, poderá encaminhá-lo para outros profissionais que atuam nesse campo, tais como professores de oratória ou canto, fisioterapeutas, otorrinolaringologistas, entre outros.
A – O que faz
O fonoaudiólogo faz avaliações na área da comunicação, tanto oral, quanto escrita. Analisa aspectos relacionados com a voz e a audição. Além de realizar terapias e tratamentos para sanar eventuais problemas detectados, também efetua um trabalho preventivo. Entre problemas usuais, encontram-se a gagueira, a perda da audição e a dislalia (quando, ao falar, existe uma troca de fonemas. Por exemplo, em vez de dizer “quero”, a pessoa diz “quelo”). Geralmente, atua em conjunto com equipes multidisciplinares, onde se incluem otorrinolaringologistas, psicolingüistas, foniatras, psicólogos, ortodentistas e neurologistas, entre outros. São pessoas que o auxiliam a aprimorar a forma como você articula as palavras, respira e coloca a voz ou que intervêm corrigindo aspectos físicos e psicológicos como, por exemplo, correção da arcada, prótese auditiva etc. Os primeiros cursos universitários nessa área surgiram na década de 60. A profissão foi regulamentada em 1981. O fonoaudiólogo pode atender em clínicas particulares, hospitais, empresas, instituições sociais, escolas ou prestar uma consultoria individual.
B – Como é
Formado em Fonoaudiologia
Conhecimentos de Biologia, Psicologia, Neurofisiologia, Ortodontia, Lingüística, Psicolingüística etc.
Comunica-se com clareza
Está constantemente se atualizando em congressos e seminários
Consegue motivá-lo a superar-se
Ouve a opinião de outros especialistas sempre que necessário
C – Como age
É realizado, em primeiro lugar, uma anamnese (história clínica do paciente) e, após, um mapeamento dos seus processos de comunicação, inclusive com exames clínicos, tais como testes de audição, realizados em ambientes isolados acusticamente para evitar distorções nos resultados. Poderá realizar, caso necessária, uma verificação dos níveis de ruídos aos quais você está expostos e que podem estar afetando sua capacidade de expressar-se oralmente. Com exercícios, treinamento e fisioterapia, busca solucionar os eventuais problemas detectados. Por exemplo, você pode necessitar de relaxamento muscular, ampliar sua capacidade respiratória, treinar a articulação exercitando-se na frente de um espelho ou melhorar a impostação de voz com um trabalho global. Se você estiver com dificuldades para discriminar os sons, será estimulado para melhorar essa capacidade. Após detectar as áreas a serem trabalhadas, o fonoaudiólogo traçará um programa de ação, acompanhando sua evolução passo-a-passo.
D – Como escolher
Não tenha medo de pedir o currículo do fonoaudiólogo. Afinal, vocês estarão trabalhando em parceria para que seu processo de comunicação se dê da melhor forma possível: você precisa conhecer as referências do profissional que estará orientando seu aprimoramento. Peça para conversar com alguns clientes e avalie os resultados obtidos. Verifique se sente à vontade para expor seus problemas com franqueza, perguntar o que deseja e se o fonoaudiólogo tem segurança e paciência para esclarecer suas dúvidas, discutindo opções de tratamento. Preste atenção se você compreende os termos técnicos utilizados e, caso não os entenda, se o fonoaudiólogo explica o significado daquilo que está dizendo.Procure mais de um profissional, antes de optar por aquele com quem irá estabelecer as bases dessa nova relação.
Atenção
Nem sempre a própria pessoa tem consciência de eventuais problemas de comunicação, seja na fala, na leitura ou na escrita. Ouça o que dizem seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Caso eles apontem alguma dificuldade, busque ajuda profissional. Também é importante realizar um trabalho preventivo, se você utiliza muito a voz em sua área de atuação.
Bate-papo
P: Por quase dois anos namorei um colega de serviço. Nosso relacionamento era ótimo e em nada afetava nossa produtividade. Há uns dois meses rompemos definitivamente a relação de uma maneira desagradável. Como trabalhamos no mesmo setor, tenho que o ver todos os dias e sua presença me incomoda. Meu rendimento no trabalho caiu. Não posso pedir demissão, pois preciso do emprego, mas a situação está ficando insustentável. Qual a melhor solução?
R: O fim de uma relação afetiva é sempre um momento delicado e exige um certo tempo para ser superado. Certamente a presença constante do seu ex-namorado no trabalho não facilita o esquecimento. Porém é uma situação inevitável e requer habilidade para ser contornada, já que existiu uma superposição de dois níveis de relacionamento: amoroso e profissional. O primeiro acabou. O segundo continua. Reflita sobre o que, exatamente, a está incomodando, para evitar a situação de mal-estar. Por acaso ainda pensa em uma reconciliação? Ficou com raiva? Magoada? Por quê? Ao detectar a origem do problema, será mais fácil resolvê-lo. Evite pensar na sua relação enquanto estiver trabalhando: concentre-se nas tarefas que precisa executar. É claro que a presença dele pode dificultar a concentração, mas mantenha uma relação educada e de respeito com o ex-namorado. Converse com ele sobre como está se sentindo com sua presença: talvez esteja passando pelo mesmo dilema e, juntos, poderão encontrar maneiras de superar essa situação. Dependendo das circunstâncias do fim da relação o diálogo pode ser difícil ou mesmo impossível. Nesse caso, talvez seja melhor conversar com seu chefe e tentar uma mudança de setor.
P: Eu e minha namorada decidimos morar juntos. Namoramos há bastante tempo e nossa atual situação financeira é boa. Porém a família dela sempre se opôs ao nosso relacionamento e agora ameaçou cortar relações, caso ela faça essa “loucura”. Sei que o problema dos pais dela é comigo: eles nunca aprovaram o fato de eu ser músico, ter cabelo comprido, tatuagem e outros símbolos que são comuns em meu meio. Como faço para conquistar a confiança deles e melhorar minha imagem, sem mudar meu estilo?
R: Uma grande coisa já está bem clara para você: tem um objetivo definido, conquistar a admiração dos pais de sua namorada sem mudar sua personalidade. Agora, só lhe resta saber como proceder. Para isso você e sua namorada podem trabalhar em conjunto. Pense quais são os pontos realmente essenciais e quais aqueles que são supérfluos, e dos quais pode abrir mão durante as visitas à casa dela. Você não precisa mudar seu modo de ser, mas pode deixar extravagâncias para outras ocasiões: vista uma roupa discreta, seja educado, converse sobre assuntos de interesse da família. O mais importante é convencer os pais dela da sua responsabilidade e da seriedade do seu trabalho. Durante as conversas exponha seus planos, peça e escute as opiniões com atenção. Além de alargar seus horizontes, envolverá os pais em seus projetos, angariando credibilidade. Provavelmente eles não aprovam a relação apenas pela sua aparência, sem o conhecer de verdade. Use sua inteligência e percepção para conquistá-los por outro lado. Além disso, não existe pai ou mãe que resista à felicidade dos filhos: demonstre como estão bem juntos, eles acabarão por aceitá-lo. Conte com sua namorada para intermediar a situação. Em pouco tempo você estará fazendo parte da família.
P: Sou sócio de meu melhor amigo há cinco anos, numa empresa de impressão em camisetas, faixas e outros materiais. Eu cuido da criação e ele da parte administrativa. Superadas as dificuldades iniciais, nosso negócio começou a ir de vento em popa e passamos a faturar bem. Entretanto, de um tempo para cá, o rendimento financeiro passou a diminuir, o que é bastante estranho já que o número de clientes aumentou. Estou desconfiado de que meu sócio esteja desviando dinheiro da nossa firma, pois nesse mesmo período ele passou a ostentar roupas caras, trocou o carro e está reformando a casa. Como faço para apurar minha suspeita sem romper a amizade, já que não tenho certeza de que estou mesmo sendo passado para trás?
R: Provavelmente você não deve ter muito conhecimento da parte financeira da empresa. Mas apesar de cuidar da criação, o faturamento da firma também lhe diz respeito. Tome ciência da movimentação financeira do negócio, o que entra, o que sai e como o lucro está sendo dividido. Se tiver alguma dúvida, peça esclarecimento ao seu sócio sem receio, pois é assunto de seu interesse e ele não tem porque se ofender com esse fato. É claro que um faturamento menor não significa, necessariamente, que seu sócio o esteja enganando – mesmo que ele, aparentemente, ostente melhores condições financeiras. Pode ser que ao longo dos anos a concorrência tenha aumentado, e que agora os preços que vocês praticam no mercado sejam menores, devido à grande oferta. Talvez exista algum descontrole administrativo: a ampliação da clientela provocou aumento no número de funcionários, gastos extraordinários, falta de controle de estoque, desperdícios etc. Tudo isso se refletirá na redução dos lucros. Vale a pena conversar também com o contador para analisar, em conjunto, toda a papelada. Quanto à melhoria do seu amigo, pode ter acontecido independente da empresa: ajuda da família, ingressos de outras fontes etc. No caso de ser comprovada a fraude, pense no valor dessa relação: seu sócio é mesmo seu “amigo”? É mais sensato desfazer a sociedade, quando não existe mais confiança, do que perder todo seu capital.
Agora é com você
Este é um teste de perseverança e motivação. Para alcançar seus objetivos e metas, muitos fatores estão envolvidos. A forma como você se relaciona com os outros, como incorpora as experiências vividas e como se projeta no futuro são elementos indicadores de seu comportamento, que podem ser modificados para que você seja bem-sucedido em tudo que faz.
Faça este teste para detectar áreas a serem melhoradas. Confira suas respostas com o gabarito que se encontra na última página, some a pontuação e depois verifique o quanto está enfocando seu plano de marketing pessoal como algo sério e útil.
1. Seu melhor amigo é…
a. Você mesmo.
b. Alguém de sua família.
c. Um amigo de infância.
d. Um colega.
2. Você acredita que…
a. Sua situação era melhor no passado.
b. Sua situação é melhor hoje.
c. Sua situação será melhor no futuro.
d. Sua situação vai continuar igual.
3. Você costuma comprar…
a. A prazo.
b. Economiza e compra à vista.
c. Com cheque pré-datado.
d. À vista assim que recebe algum dinheiro.
4. Ao receber um “não”, você…
a. Sente-se magoado.
b. Fica com raiva.
c. Insiste até obter um “sim”.
d. Sente-se perdido, sem saber como agir.
5. Suas promessas de fim-de-ano…
a. São sempre as mesmas.
b. Duram no máximo um mês.
c. Duram até você atingir seus objetivos.
d. Não faz promessas.
6. Sua vida é como:
a. O mar: ondas que vão e vêm. Você já viveu muitas experiências, tanto agradáveis quanto desagradáveis.
b. Um lago: tranqüilo e calmo, onde as experiências deslizam sem turbulências.
c. Um rio: a correnteza não pára e você vive esperando as experiências que vêm pela frente.
d. Um temporal de verão: após chuvas e trovoadas, sempre surge o arco-íris. Você lembra somente das boas experiências da vida.
7. Você está no trânsito e um “apressadinho” fica na sua “cola”:
a. Continua dirigindo calmamente. Afinal, está dentro da lei e no limite da velocidade: o outro é que está errado.
b. Acelera para livrar-se do risco de uma colisão.
c. Vai para o acostamento e dá passagem.
d. Faz sinal para que o outro ultrapasse e depois fica xingando e buzinando: na selva do trânsito, é olho por olho, dente por dente.
8. Naquilo que você faz…
a. Recebe o reconhecimento que merece.
b. Não é suficientemente reconhecido.
c. Acredita que dão mais valor do que de fato merece: o pouco que faz sempre se destaca.
d. Nunca ligou para o que os outros acham. Você sempre se esforça para fazer o melhor que pode.
9. Você tem um projeto de vida para os próximos…
a. 10 anos
b. 5 anos
c. 1 ano
d. Gosta de viver cada momento. Afinal, ninguém sabe se vai estar vivo amanhã!
10. Você tem medo de…
a. Morrer.
b. Ficar gravemente doente.
c. Ficar na miséria.
d. Perder seu ente mais querido.
Análise
Verifique agora seu perfil de perseverança e objetividade e, a partir dos resultados, reveja sua postura, maneira de agir e comportamentos.
33 a 50 pontos: Determinado – Você possui objetivos claros e bem determinados. Sabe que atingir suas metas depende também das pessoas que o cercam e procura interagir de forma adequada conforme as circunstâncias. Embora sem perder de vista os resultados finais, possui flexibilidade e jogo de cintura para abrir mão de detalhes que não são importantes. Continue refletindo sobre suas experiências e aprendendo com seus erros. Você vai chegar lá!
16 a 32 pontos: Instável – Você varia de um extremo a outro: às vezes, parece extremamente determinado, chega até mesmo a “atropelar” os outros para atingir seus objetivos. Em outros momentos, desanima e desiste de tudo, deixando que o “destino” decida o seu futuro. Procure reencontrar seu equilíbrio, descobrindo o que de fato deseja e construindo relações em bases sólidas e transparentes.
Menos de 16 pontos: Temeroso – Você tende a confundir suas metas e objetivos com o das outras pessoas que o cercam, e deixa-se influenciar em demasia por circunstâncias que podem ser apenas passageiras. Aprenda a diferenciar o que é essencial daquilo que é supérfluo e aprenda a valorizar mais seus próprios dons e potencialidades, sem medo da crítica alheia. Afinal, você chegou até aqui – e isso já demonstra que pode se sair vitorioso. Acredite mais em você mesmo.
Tabela de resultados
Para cada questão, verifique a letra que escolheu e quantos pontos a sua resposta vale. Some a pontuação e confira seu perfil na página anterior, com as recomendações indicadas.
Pergunta 1:Resposta A vale 5 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 2 pontos. Resposta D vale 0 pontos.
Pergunta 2: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 2 pontos
Pergunta 3: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 5 pontos. Resposta C vale 2 pontos Resposta D vale 4 pontos
Pergunta 4: Resposta A vale 2 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 0 pontos
Pergunta 5: Resposta A vale 2 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 0 pontos
Pergunta 6: Resposta A vale 5 pontos. Resposta B vale 0 pontos. Resposta C vale 4 pontos. Resposta D vale 2 pontos.
Pergunta 7: Resposta A vale 0 pontos. Resposta B vale 4 pontos. Resposta C vale 5 pontos. Resposta D vale 2 pontos.
Pergunta 8: Resposta A vale 2 pontos. Resposta B vale 5 pontos. Resposta C vale 4 pontos. Resposta D vale 0 pontos.
Pergunta 9: Resposta A vale 4 pontos. Resposta B vale 5 pontos. Resposta C vale 2 pontos. Resposta D vale 0 pontos.
Pergunta 10: Resposta A vale 4 pontos. Resposta B vale 2 pontos. Resposta C vale 0 pontos. Resposta D vale 5 pontos.
Uma revolução cotidiana
A escrita, que surgiu na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C (antes de Cristo), revolucionou os processos de comunicação. Agora, as mensagens passam a ter um caráter permanente, que se transmite de geração a geração sem as alterações e interferências provocadas pela transmissão oral. Essa revolução continua provocando impacto em sua vida. Ao escolher e decidir sobre a forma como você se comunica e se interrelaciona com os outros, você estará abrindo ou fechando portas para seus projetos, objetivos e ideais. Iniciar, manter e encerrar relações no trabalho, no local de estudo, na vida social ou afetiva exige odomínio de instrumentos específicos, que você viu nesse fascículo. São pequenas revoluções que você provoca em sua vida a cada momento e que são mais importantes ainda nas horas de crise: torna-se necessário encontrar saídas alternativas para que seu projeto de marketing pessoal seja realmente efetivo. Como fazer isso? Como enfrentar situações de instabilidade e incertezas? Muitas pessoas conseguem abrir caminhos quando tudo parece perdido. São histórias e soluções que você encontrará no próximo fascículo!
Até lá!
RECORDANDO
As relações entre as pessoas ocorrem com o apoio dos processos de comunicação. Entre os fatores importantes nesse processo, ddestacam-se: a mensagem a ser transmitida, a pessoa ou público a que se destina a mensagem, o código e os meios a serem utilizados.
Mensagem sem conteúdo é aquela que não atende às expectativas do público-alvo.
Na comunicação verbal (seja oral ou escrita) é necessário escolher as palavras e a estrutura utilizada para alcançar os resultados desejados.
A linguagem corporal é rica em simbolismos, que variam conforme o contexto social.
Nem sempre as falhas na comunicação são percebidas no momento que ocorrem. Para evitá-las, é importante saber ouvir e controlar o retorno (a resposta do receptor).
Entre os problemas mais usuais durante a comunicação encontram-se: distração, limitações do receptor, presunção não enunciada e apresentação confusa.
Os contatos sociais podem ser primários e secundários. Primários são aqueles em que as pessoas possuem elos de relacionamento bem próximos (amigos, familiares etc.). Secundários são contatos formais e eventuais, passageiros.
Mensagens subliminares são aquelas que não são percebidas conscientemente.
Encerrar relações é um processo difícil e muitas vezes doloroso, sejam relações profissionais ou afetivas.
A ruptura das relações pode ocorre por mudanças no espaço físico, mudanças de objetivos, fatores externos etc.
As relações se estabelecem em vários níveis: familiares, profissionais, afetivos, sociais etc.
Para construir relações em bases sólidas, é necessário saber dar e receber, evitar sentimentos de posse, ser realista, respeitar diferenças e o ritmo de cada um.
Ter confiança e respeitar os próprios limites, dos outros e da sociedade, contribui para que as relações se fortaleçam.
Para evitar situações desagradáveis, é importante: controlar expectativas, ter bom-humor, evitar lamúrias, saber pedir desculpas, ser adequado, bem informado e atencioso.
Aprender com os erros é um processo que envolve análise dos fatos, ouvir opiniões, refletir e agir.
Fonoaudiólogo é o profissional que cuida dos distúrbios de comunicação, agindo em conjunto com outros profissionais para prevenir, detectar e corrigir eventuais problemas.
Aconteceu comigo
FALAR EM PÚBLICO
“Você fica com os joelhos vacilando quando necessita falar em público? As mãos tremem? A voz parece que não vai sair? Talvez você não apresente nenhum desses sintomas. Nesse caso, parabéns! Mas não é o que acontece comigo. Apesar de muitos anos na profissão, sempre que preciso apresentar algum material em reuniões, falar com um grupo de clientes, fico temeroso. A verdade é que, quer queiram, quer não, sei que meu desempenho está sendo julgado naquele momento: é terrível. Já descobri até alguns episódios, durante meus tempos de criança, que contribuíram para destruir minha autoconfiança. O primeiro, quando tinha apenas 10 anos e, junto com todos os alunos, fui convocado para um teste de voz. A escola iria formar seu grupo de canto coral. Na hora que subi ao palco, a professora tocou uma nota no piano e pediu para eu repeti-la. Só vi aquelas centenas de olhos fixos em mim. Abri a boca e não saiu nada. A professora insistiu. Finalmente, consegui emitir alguma coisa próxima a um som ou grunhido. Queria sumir dentro do piano e desaparecer da face da Terra. Bem, mas isso é passado e não dá para mudá-lo. O que fazer agora? Tomei duas atitudes que deram resultados imediatos. Sempre que vou falar em público, penso no seguinte: quem é meu amigo, vai gostar do que eu falar, não importa como. E quem é meu inimigo, vai sempre achar alguma falha, nem prestará atenção no que estou dizendo. Então, por que se preocupar? Respiro fundo, concentro-me e vou em frente. Tem dado certo. Quanto à recolocação de voz, estou trabalhando com uma professora de canto. Ainda sozinho, pois não quero me expor ao ridículo! Mas aos poucos minha confiança está retornando.”
Antônio Morais de Camargo,
gerente de vendas.
Defina bem seus objetivos. Analise a situação, o ambiente externo. Faça uma auto-análise de seus pontos fortes e fracos. Planeje suas ações. Estabeleça uma boa rede de apoio. Busque ajuda sempre que for
necessário. Aproveite as crises para crescer. Mantenha-se bem informado. Acredite em você mesmo: já enfrentou muitos problemas e, portanto, é um vitorioso!
Fascículo 5 – A verdadeira conquista
Neste último fascículo, você verá como é possível contornar as crises com um bom plano de marketing pessoal. Serão abordados assuntos essenciais, como a revisão periódica de objetivos e metas, como proceder quando se é despedido, o papel das informações (tanto as que se recebem, quanto as que se fornecem) e descobrirá um pouco dos motivos que se escondem atrás da atual situação do país. Além disso, você poderá se deter em dois exemplos práticos do uso do marketing pessoal, com os problemas e desafios existentes e as saídas possíveis. Finalmente, conhecerá profissionais que podem ajudá-lo a superar dificuldades na implantação de seus projetos. B
A música interior
Imagine um pai dizendo ao seu filho de apenas quatro anos de idade: “-Você será um novo gênio a música! Nada de brincar! Vá estudar!” Pois essa era vida de um jovem músico, nascido na Alemanha em 1770. O avô tinha sido um grande músico, aclamado na corte. A avó, alcoólatra, perdeu todos os filhos, com exceção de um: esse pai tirânico, tenor medíocre, que em pouco tempo também se tornaria alcoólatra e que avidamente exibia o filho talentoso, cujo dinheiro ganho ajudava a pagar as despesas da casa. As primeiras lições de piano foram dadas pelo pai. Aos seis anos, já se apresentava em público. Na escola, os professores diziam que não prestava atenção e geralmente fica irrequieto ou aparecia sujo na classe; mas continuava dedicando-se à música. Aos 8 anos, seu pai percebeu que ele necessitaria de professores mais competentes. O menino experimentou vários, todos muito rígidos e duros, até finalmente encontrar um instrutor mais afável. As lições foram interrompidas quando o jovem mestre morreu. A criança começou, então, a beber: tinha apenas 10 anos. O pai percebeu que não conseguiria ganhar muito, simplesmente exibindo o filho como músico-prodígio. Passou a investir, então, na sua formação para que pudesse, o quanto antes, tornar-se músico da corte, passando a ganhar um bom dinheiro. Acabava-se a infância e ele jamais retornaria à escola. Ingressou na corte, como músico aprendiz. Aos 11 anos, seu talento já era reconhecido. Aos 14 anos, embora muito jovem, foi admitido como músico oficial, ganhando um salário razoável, com o qual sustentava a família. Começou também a dar aulas de piano. O jovem foi para Viena, mas voltou rapidamente, pois sua mãe adoeceu e veio a falecer. O pai, mergulhado no álcool, já quase não trabalhava. A atmosfera em casa era opressiva. Durante dois anos, o adolescente preocupou-se somente em conseguir sustentar seus dois irmãos menores. Continuava tocando e dando aulas, mas não tinha tempo para compor – sua paixão. Um episódio traumático acabou por solucionar o problema: seu pai, embriagado, envolveu-se em uma confusão e quase foi preso. Tentou suicidar-se. A pensão que recebia passou, a partir desse instante, a ser entregue diretamente ao jovem músico. E, assim, ele voltou a compor. Em pouco tempo conquistou fama e fortuna. Mas suas atribulações não acabaram nesse momento. Aos 26 anos, percebeu que começava a perder a audição – até que finalmente ficou completamente surdo. Sofreu de vários outras doenças: nos olhos, no estômago e submeteu-se a tratamentos agressivos. Ficou um bom tempo sem compor nada, envolvido, inclusive, em uma demanda judicial pela custódia de seu sobrinho, fato que o arrasou. Mas sua música interior era mais forte. Mesmo surdo, voltou a compor, vindo a falecer em 1827. Compareceram ao seu enterro mais de 10.000 pessoas. O nome desse músico: Beethoven, que enfrentou uma infância difícil, a doença e a surdez para deixar uma herança de ritmos e sons inesquecíveis. Assim como ele, ouça você também sua voz interior e não se deixe abater pelas circunstâncias. Esse é o maior segredo da verdadeira conquista no marketing pessoal.
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FIQUE POR DENTRO
1 – Os Mandamentos do Marketing Pessoal
Organização
Criatividade
Dinâmismo
Responsabilidade
Versátilidade
Iniciativa
Senso de humor
Automotivação
2 – Renovando Objetivos
Os objetivos devem ser pensados como metas em constante renovação. Seus objetivos devem andar em espiral: assim que um for alcançado, outro deve estar sendo idealizado. Isso fica mais fácil com um planejamento a longo prazo de suas expectativas. Mentalize como você se imagina daqui a dez, vinte, quarenta anos. Agora, pense no que está fazendo para chegar lá. Esse é o começo. Mas num grande período de tempo, tanto os seus planos, necessidades e anseios quanto os da sociedade tendem a se modificar. Por isso, a condição que os especialistas consideram fundamental na pessoa e no profissional de hoje é a flexibilidade. Ter uma postura flexível não é falta de convicções, mas sim condição ideal para que você avalie no que vale a pena insistir ou não. Muitas vezes, tem-se dificuldade em abrir mão de antigos sonhos para recomeçar do zero, mas isso é importante para o crescimento pessoal. Renovar objetivos é se colocar, constantemente, frente a novos desafios e se aperfeiçoar cada vez mais na arte da conquista.
A – Hora de Mudança
De tempos em tempos, o ser humano sente necessidade de transformações. Mudar o visual, renovar o guarda-roupa, terminar uma relação que se arrasta, procurar novo emprego: cada um sabe o que deseja modificar. Essa necessidade de estar em constante movimento acompanha o homem desde o princípio de sua existência. As primeiras sociedades que se formaram eram nômades, mudavam de lugar constantemente à procura de melhor solo, caça abundante e clima favorável. Com o tempo, o ser humano foi perdendo esse caráter e tornou-se sedentário, dominando certas tecnologias, como agricultura, vestuário de lã e peles etc. Ficava mais fácil estabelecer-se num local fixo, mas isso não acabou com a vontade de enfrentar novos desafios. Como único ser capaz de refletir sobre sua existência, está sempre em busca do aprimoramento e, para isso, precisa de situações que coloquem em risco sua tranqüilidade, para que possa se superar e crescer. Nem sempre é fácil aproveitar a hora certa de mudar. Estipular metas é um facilitador do desenvolvimento: quando um objetivo for atingido, é hora de enfrentar outro.
Os períodos de crise geralmente são propícios à transformação, pois são épocas de insatisfação. Esteja atento para perceber como está sua satisfação pessoal. As decisões de mudanças normalmente são difíceis e doloridas, mas impulsionam seu aperfeiçoamento.
B – Não fique parado
Em países desenvolvidos como Suíça e Alemanha, observa-se um grande número de suicídios, principalmente entre os jovens. Uma das explicações dada para o fenômeno é a falta de dificuldades e problemas. Ou seja: eles já têm “a vida ganha”. Nesses países, o governo proporciona um bom atendimento hospitalar, boa educação fundamental, boas universidades, suporte para colocação profissional ou amparo no caso de desemprego. Sem motivação e novos desafios, muitos acabam se sentindo vazios, deprimidos e incapazes de enfrentar mudanças, podendo até desistirem de viver. Claro que a situação brasileira é bem diferente, mas ninguém está livre de se acomodar. Quando um objetivo é alcançado, a tendência é aproveitar e relaxar nas glórias da conquista. É necessário desfrutar e aprender com cada passo dado. Entretanto, comodismo demais pode gerar insatisfação e desânimo. É preciso evoluir e ficar atento à hora certa de procurar novos desafios.
C – As Dificuldades do Recomeço
Não é fácil “jogar” tudo para o alto e começar de novo. Nem é o mais indicado: se você está insatisfeito com a sua vida em geral, é bom começar aos poucos. O ideal é não radicalizar, pois uma mudança brusca pode ser traumática. Todo recomeçar traz uma série de dificuldades que, de uma forma ou de outra, você já atravessou em outras circunstâncias. Agora, será mais fácil superar os problemas e aprimorar seu desempenho: você tem mais experiência e bagagem para atravessar certas situações que antes eram barreiras quase intransponíveis. O tempo traz sabedoria. Porém, é importante estar ciente de que enfrentará, mais uma vez, situações que talvez não esteja disposto a submeter-se, tais como procurar um novo emprego, abrir um novo negócio com eventuais restrições financeiras etc. Para que sua nova empreitada dê bons resultados, use as ferramentas do marketing pessoal, valorizando experiências anteriores.
D – A Consolidação
Toda escalada na procura de novos desafios tem um objetivo: consolidar conquistas anteriores, sejam elas materiais ou subjetivas. Quando se está começando numa profissão, a tendência é apresentar um resultado desigual. No começo, o desempenho pode ser muito bom, mas não existe linearidade: seu próximo desempenho pode ser abaixo da média, o que fará com que seu empregador (e você mesmo!) duvide de seu potencial. Mas essa etapa é fundamental, pois é no aprendizado que se consolida o bom profissional. A experiência adquirida a partir disso fará com que você mantenha sempre alta a média dos seus serviços e produção. Se você parar para analisar seu desempenho no início da carreira com o de algum tempo depois, verá como seu trabalho cresceu e estabilizou-se: seu controle de qualidade aprimorou-se.
Isso reflete-se não só no trabalho, mas também nas suas relações, que tendem a se tornar cada vez mais sólidas, pois as bases de sustentação consolidam-se. Seu desenvolvimento pessoal reflete seu esforço em se aprimorar.
3 – Equilibre sua vida pessoal e profissional para conseguir ser bem-sucedido.
A – Equilibrando-se na Crise
Por todo lugar em que se anda, quando o assunto é emprego, mercado, oportunidades, as conversas não são muito animadoras e a resposta é sempre a mesma: “-É a crise…” De fato, o Brasil passa por um período extremamente delicado economicamente, que não se deve só à atual desvalorização do real, mas já vem de longa data. A história da humanidade está repleta de recessões, pestes e crises que abalam sociedades e muitas vezes são responsáveis pela reformulação no sistema mundial e impulso para novas mudanças. Há muito tempo o mundo Ocidental encontra-se sob o mesmo sistema, o capitalismo e, mais recentemente, sob o jugo da globalização, com sua vertente neo-liberalista. Todos esses conceitos são criados para tentar descrever mudanças sócio-econômicas que ocorrem.
B – Economia Hoje
Atualmente, o mundo está um pouco mais conturbado que o usual, por causa do forte impacto da globalização. Desde a revolução industrial, o homem produz a partir da divisão do trabalho, mas isso assumiu proporções gigantescas: o trabalho saiu das fábricas regionais e deslocou-se para produção em diversos países. A economia mundial está entrelaçada: o tênis que se compra em qualquer lugar do mundo possui componentes de diversos países; produtos agrícolas vêm da América Latina, a alta tecnologia, dos países ricos; e assim por diante. É como se o planeta tivesse se tornado uma grande fábrica, onde os mais ricos detêm os meios de produção e distribuição, dominando assim os países mais pobres, onde os trabalhadores enfrentam baixos salários, insalubridade e diversos outros problemas.
C – E no Brasil
A economia brasileira, conseqüentemente, está atrelada ao mercado e pouco se faz, a não ser cumprir ordens. O controle da inflação, por exemplo, foi uma conquista importante, mas, ao mesmo tempo, a estratégia utilizada trouxe desemprego e recessão. Por conta da globalização, os governantes dizem que a crise é mundial, que a revolução tecnológica agrava o desemprego etc. Mas não é bem assim: nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de desemprego diminui cada vez mais, o padrão de vida sobe e os empregos de baixa qualificação estão se tornando raros. Alguém está pagando por isso, geralmente países como o Brasil, que entram com sua cota de desemprego e subemprego de parte da população para alavancar o desenvolvimento dos países de primeiro mundo. Nessa situação é necessário criar alternativas que permitam driblar a recessão. Os períodos de crise são ideais para dar uma virada em sua vida, com criatividade, visão, confiança e ousadia.
4 – Nem sempre quem é dispensado é o pior: quem se destaca, muitas vezes incomoda.
A – Despedido: e agora?
Foi-se o tempo em que ser demitido era sinônimo de incompetência ou fracasso. Segundo a revista EXAME, quase 60% das empresas ouvidas na pesquisa diminuíram seu quadro de funcionários no primeiro semestre de 96 e essa porcentagem continua alta. A empresa que funcionava há cinco anos com cinqüenta mil funcionários, hoje opera com a mesma eficiência e metade de colaboradores. Certas funções tornaram-se obsoletas: passam a ser feitas por máquinas, telefone ou Internet. Um estudo realizado pela maior empresa de recolocação de executivos do mundo, a DBM, comprova que há vinte anos um executivo trocava de emprego duas vezes ao longo da vida. Atualmente, ele muda oito vezes, sendo que na metade delas é demitido. Carreiras estáveis são difíceis atualmente, ser demitido tornou-se parte do estar empregado. Portanto, se aconteceu com você, saiba como contornar a situação.
Conforme pesquisas feitas pelos médicos americanos Thomas Holmes e Richard Rahe, a dor de se perder o emprego só é superada, em primeiro lugar, pela dor de perder um filho e, em segundo, pela dor de perder o marido, a mulher ou os pais. É terrível, mas você poderá enfrentar a situação com dignidade. Quando seu chefe lhe comunicar que você está prestes a ser demitido, conforme a consultora Rosanne Beers, o ideal é controlar as emoções. Nesse momento, a situação pode o levar a dizer coisas que não diria se estivesse mais calmo. Uma reação enfurecida dificultará tudo: como pedir referências ao chefe depois? Para Letícia Baldrige, autora de um guia de boas-maneiras executivas, quando for sair do emprego mantenha sempre uma atitude positiva, pois é assim que será lembrado. Não seja tímido e mostre aos colegas o quanto apreciou trabalhar em conjunto com eles. Essa atitude lhe permitirá manter laços que lhe poderão ser úteis.
Depois de assimilar a idéia da demissão, marque uma hora para conversar com seu chefe. Esclareça os motivos da dispensa, com o intuito de melhorar seu futuro desempenho, não o de obter seu emprego de novo, pois essa é uma decisão sem volta. Victoria Bloch, diretora da DPM, aconselha que nessa segunda conversa com seu chefe você peça para ele repetir tudo que foi dito anteriormente e faça anotações, principalmente em relação as suas condições de saída. Mostre que você tem consciência de seu valor: não aceite a primeira oferta, pois a empresa pode lhe oferecer mais. Pense e procure obter benefícios: ampliação de cobertura do plano de saúde, um valor mais alto de indenização ou mesmo um curso de requalificação profissional.
B – Profissional de Recolocação
Cada vez mais, devido ao aumento do número de demissões, as empresas estão recorrendo a esse tipo de profissional, que tem a função de o auxiliar após a demissão. É provável que logo após receber o comunicado do seu chefe, você seja encaminhado a um psicólogo, funcionário da empresa, que tratará de o aconselhar sobre a melhor maneira de superar o novo desafio. Sindicatos, cooperativas e associações, em alguns casos, também prestam esse tipo de apoio. Tire o melhor proveito da situação. É necessário desabafar nessas horas e abrir-se com uma pessoa desconhecida pode ser bem mais fácil. Além disso, é bem melhor você explodir com ele do que com seu chefe, colegas, familiares ou amigos. Essa entrevista de desligamento é importante para se conscientizar de que uma etapa foi encerrada e não vale a pena ficar chorando as mágoas. Especialistas afirmam que as 72 horas após a demissão são um período em que o aspecto psicológico está bastante conturbado. Uma conversa com alguém especializado no assunto o ajudará a ver tudo como realmente é, sem ficar culpando os outros ou a si mesmo.
5 – Novos Caminhos
A alta taxa de desemprego e demissões revela que a situação não está fácil. Porém as alternativas para dar uma virada na sua vida são várias. É possível abrir aquele negócio que você sempre quis, procurar o emprego dos seus sonhos. Mas, primeiro, por que não aproveitar essas férias forçadas para descansar antes de fazer novos projetos? Utilize esse incidente para refletir. Não se sinta culpado ou incapaz: pense na melhor alternativa. Willian J. Morin e James C. Cabreira, autores do livro “Como sobreviver à perda de um emprego e ser bem-sucedido na procura de outro” contam o caso de um executivo, com vinte anos dedicados à empresa, que foi demitido e posto num avião rumo a Chicago para um aconselhamento de recolocação. No hora marcada, três dias após chegar na cidade, ele não apareceu no escritório da empresa. Foi encontrado no quarto de hotel, com a barba por fazer, aparência de não ter tomado banho, desleixado. Ele se encontrava sentado numa cadeira em posição fetal e em estado de choque. Morin e Cabreira contam que ele era um profissional competente e talentoso, mas levou seis meses até recuperar sua autoconfiança. Dois anos depois, estava no controle de uma grande companhia.
A autoconfiança fica abalada, mas é fundamental recuperá-la para abrir novos caminhos. Nem sempre a saída é óbvia, mas se o mercado está ruim, uma idéia original pode ser a solução. Não poupe criatividade para começar de novo. Momentos difíceis são fundamentais para dar um novo impulso à sua carreira. Diante de uma situação de crise você é obrigado a tomar uma atitude de mudança e crescimento.
A – Emprego e Família
Sua principal fonte de renda se foi. Como enfrentar as despesas, que continuam presentes?
Quem é demitido costuma ganhar uma boa indenização, que pode lhe sustentar durante alguns meses. É importante lembrar que é uma quantia fixa, que não entra todos os meses, por isso tem que ser bem administrada. Não se sinta culpado por reduzir seus gastos e os de sua família. O que não pode ocorrer é fingir que nada aconteceu e esbanjar um dinheiro que não está disponível. Não tente manter segredo da sua família: não será possível enganá-los por muito tempo, pois sua forma de agir será diferente. Além disso, com o intuito de protegê-los, você pode agravar a situação. A melhor atitude a tomar é fazer com que todos tomem conhecimento do que ocorre para que colaborem na contenção de gastos. Você se surpreenderá com o apoio que receberá!
Atenção!
Esconder que você está demissionário de amigos e familiares não é bom em hipótese alguma. Se ninguém souber da situação, como poderão ajudá-lo, indicando-o para eventuais vagas ou até mesmo para serviços temporários? Conte com a ajuda dos amigos, colegas e da família para enfrentar a situação com dignidade.
B – Seu emprego está seguro?
Não é só quem perdeu emprego que teme a recessão. A maior preocupação de quem está empregado é manter o trabalho e não fazer parte da grande leva de funcionários que foram cortados do quadro de pessoal no país.
Cada vez mais esses profissionais têm que concorrer com estudantes que estão ingressando no mercado de trabalho, funcionários competentes que foram demitidos, ou até mesmo pequenos empresários (e seus funcionários) que pediram falência ou fecharam as portas por não conseguirem enfrentar a concorrência estrangeira.
Para perceber como está sua situação no emprego, faça uma auto análise. Pergunte-se: você é sempre esquecido de ser chamado nas reuniões mais importantes? Você nem lembra quando foi sua última promoção? O trabalho que costumava fazer é passado para outros? É um trabalho repetitivo, que eventualmente poderá ser substituído por uma máquina ou realizado por outra pessoa menos qualificada? Se alguma das respostas for afirmativa, você é um sério candidato a ser demitido. Mas isso pode ser contornado. Talvez você precise se atualizar. Esteja bem informado sobre o que acontece na sua área: com maior conhecimento, será mais fácil participar ativamente nos negócios.
C – Boa Notícia
Não se assuste se parecer que todas as previsões do mercado são negativas. Em reportagem da revista EXAME, o headhunter (pronuncia-se rédrânter)David Ivy atesta que muitas empresas que passaram por um profundo processo de reestruturação para se tornar mais competitivas e lucrativas, ou seja, demitiram muitos funcionários, agora estão sentindo falta de profissionais competentes para reconstruir seus quadros.
Outra boa notícia é que, em tempos de crise, não é só você que precisa se tornar mais qualificado para ganhar o mercado. Também as empresas se vêem obrigadas a oferecer um serviço de melhor qualidade. Por isso, estão a procura de profissionais competentes – e esse profissional é você. Aproveite suas chances!
Pensar antes de tomar decisões é importante, mas evite que o excesso de reflexão o paralize.
6 – O Papel da Informação
Conhecimento é tudo aquilo o que você agrega em sua vida, por experiências, por estudo, por aprendizado, induzido ou não. O conhecimento envolve a informação e esta ocupa um papel definitivo no seu plano de marketing. Os papéis da informação são muitos e nenhum deles pode ser ignorado por você. No fascículo anterior você já observou a importância que as mensagens e os meios de comunicação exercem sobre suas atividades. Preste atenção para utilizar a seu favor todos os benefícios das informações que estão ao seu redor. É necessário dominar muito bem aquilo que pretende tornar público: realizações, conquistas e envolvimentos que irão acrescentar bons pontos em seu marketing pessoal. Também é vital estar bem informado sobre o que acontece ao seu redor, para tomar atitudes preventivas, antecipar-se aos acontecimentos, apresentar diferenciais significativos. Vencedor nem sempre é aquele que dá o primeiro passo, mas o que melhor se equilibra no deslocamento.
A – Vida real
“Um desses dias, eu estava no supermercado e, ao colocar um determinado produto no carrinho de compras, fui abordado por uma senhora que, simpaticamente, alertou-me para o fato de já ter comprado o mesmo produto em outro estabelecimento pela metade do preço indicado na etiqueta naquele momento. A princípio não sabia como agir, fiquei sem graça. Havia me dirigido ao supermercado especialmente para adquirir aquele produto. Meu primeiro impulso para ignorar a informação foi grande: afinal, alguns reais não fariam tanta diferença assim. Mas o que mais me chamou a atenção naquele momento foi a conduta da senhora: ela preocupou-se em passar-me uma informação que, com certeza, julgava ser de algum valor. Hoje, quando nós, cidadãos, trocamos tão poucas informações nos restritos estabelecimentos de contato público e coletivo, resolvi, então, não somente agradecer, mas também agir: não levei o produto. E mais: encaminhei uma reclamação ao fabricante e ao próprio supermercado, colocando que preços tão disparatados de um lugar para outro eram inadmissíveis. Não sei exatamente que providências foram tomadas entre fabricante e supermercado. Sei que ao retornar, algum tempo depois, ao supermercado o preço estava mais baixo.
Aprendi uma lição: se em qualquer um dos momentos a informação tivesse sido ignorada, o descaso teria prosseguido.” Carlos Humberto Seidmann
B – Informações recebidas
Você está a todo momento sendo bombardeado por informações. Na rua, o sinal vermelho diz “Pare”. O cartaz informa o produto que lava mais branco, o menino que pede esmolas denuncia a situação do país. Ao mesmo tempo em que você analisa essas informações e decide o caminho a tomar, prepara-se mentalmente para a próxima reunião ou tarefa na empresa. Ao chegar no trabalho, a trajetória percorrida até seu local de produção já define a posição hierárquica que você ocupa na organização. Até mesmo sua própria respiração lhe fornece informações, tais como se o ar está seco ou não, se você está exausto ou bem disposto. Seu organismo seleciona e absorve desse mar de informações as mensagens que serão enviadas para seu sistema nervoso, exigindo lógica, concentração e raciocínio. Tudo isso ocorre numa fração de segundos: é tão imperceptível, que você só se torna consciente dos elementos selecionados. Por isso, é necessário rever, de quando em quando, os fatores aos quais você expõe-se diariamente. Aspectos importantes podem estar passando desapercebidos há anos, submersos na rotina. Com um novo enfoque, análise de informações e cruzamento de dados, poderá conseguir uma melhora razoável em seu rendimento, inclusive no que se refere à economia de gastos. São pequenos detalhes que merecem reavaliação, tais como uma luz que sempre fica acesa na empresa, um funcionário de grande valor mal aproveitado ou uma compra realizada por hábito em determinado lugar, sendo que em outro existe uma oferta melhor.
C – Benefícios
As informações recebidas servem para ajudá-lo a contornar desafios, mas é de extrema importância que você consiga aproveitar bem as informações. Por exemplo: uma empresa sofre um grave corte de verbas. Seus diretores reúnem-se e reduzem gastos, eliminando pesquisas ou demitindo funcionários sem considerar um contexto mais amplo, não levando em conta aspectos como “tempo de serviço”, tido como “superficial” pela diretoria. É o caminho mais simples, mas uma solução eficiente indicaria o re-aproveitamento do que é desenvolvido na empresa, reciclagem de materiais, investimento em treinamento para evitar desperdícios, desenvolvimento de pesquisa em sintonia com produção e mercado, avaliação de re-aproveitamento do quadro de funcionários, mudança na cultura organizacional etc. Assim como seu organismo seleciona e responde às informações recebidas, você, como bem estruturado profissional e cidadão, também deve analisar conscientemente as informações, cruzar os dados e direcionar suas respostas. Não se esqueça dessa parte! Ignorar que recebeu a informação? Nem pensar. Essa regra básica do marketing pessoal traz conseqüências e benefícios não somente para as “grandes decisões”, mas também tem valor em relação àquelas informações como cartas, reclamações e pequenas sugestões.
D – Informações emitidas
Quais as informações você pretende que circulem a respeito de seu trabalho ou de sua pessoa? Logicamente, suas conquistas, mas também os períodos de crise e a maneira como optou superá-los são importantes em seu marketing pessoal. Para construir uma boa imagem, invista na informação que o pode auxiliar a fazer isso.
No caso citado no box “Aconteceu Comigo”, pode-se observar um exemplo interessante. Os resultados obtidos seriam completamente diferentes se qualquer um dos receptores não tivesse dado continuidade (resposta) ao receber a informação. Somente porque o consumidor ouviu a primeira compradora e passou a informação à indústria e ao supermercado, que por sua vez agiram, é que o resultado foi satisfatório para todas as partes, mesmo que nem para a primeira senhora, nem para a indústria, nem para o consumidor (que já havia deixado de adquirir o produto, de qualquer forma), a transmissão da informação fosse fazer alguma diferença. Assim, filtre as informações recebidas e procure facilitar a compreensão das mensagens. Fique atento, pois levar a sério as informações que são encaminhadas a você é essencial para que você conquiste a confiança daqueles com quem convive.
Atenção!
A melhor saída para fugir das fofocas é fechar sua própria
boca para elas.
E – Graus de Informação
As informações interessam em maior ou menor grau ao indivíduo que as recebe. A. Moles, da Universidade de Mouton, Paris, propôs uma escala de 7 graus para esse distanciamento que ocorre do receptor em relação à informação.
Grau 1- Implica em uma reação imediata e concreta do indivíduo. Ex.: Mobilização para reagir ao grito de “Fogo!”
Grau 2- O receptor é diretamente envolvido. Ex.: Aumento no custo de vida.
Grau 3- Permite ignorar a informação. O receptor interessa-se por ela, sem sentir-se preocupado.
Grau 4- Implicações distantes ou a longo prazo. Ex.: Modificações no meio ambiente.
Grau 5- Há somente uma leve ligação entre os acontecimentos e o que afeta o indivíduo.
Grau 6- Preocupa vagamente a pessoa, que não sabe definir exatamente o porquê. Ex.: A filha do dono da venda está grávida.
Grau 7- Não há nenhuma implicação. Algo que se passa em local ou circunstância totalmente distantes do receptor.
7 – Etiqueta Eletrônica
Nos últimos anos, o sistema social sofreu uma profunda transformação, ocasionada principalmente por fatores relacionados aos meios de comunicação. Apesar da mudança já ter ocorrido em vários mecanismos sociais (bancos, grandes e pequenas empresas etc.), muitas pessoas ainda não sabem como se portar ou como utilizar da melhor maneira os novíssimos meios de comunicação. Aqui estão algumas recomendações para utilizar com eficiência e boa-educação esse rápido mecanismo de comunicação que é a Internet. Não fique para trás. Aposte nas novas tecnologias para melhorar seu marketing pessoal.
Nunca se esqueça de que há pessoas do outro lado da linha.
O computador é considerado um meio impessoal. Não há contato físico algum, nem relação direta obrigatória entre os vários interlocutores. Em muitos, casos isso facilita a comunicação, principalmente para os mais tímidos, mas pode ser também uma válvula de escape para comentários indiscretos e indesejáveis. Tente não dizer nada que você não diria pessoalmente.
Cuidado com o que diz: você não é o único a acessar a rede. Evite mandar informações pessoais para newsgroups (pronuncia-se níus gruups), que são listas de discussão.
Se o conteúdo for estritamente particular, utilize outros meios para envio. Lembre-se que a mensagem ficará arquivada no computador de quem a receber.
Para substituir as inflexões corporais e de voz, criaram-se alguns símbolos, denominados emoticons (pronuncia-se emôuxicons, que é a soma da palavra emotion – emoção – com icons, ícones) ou smiles (pronuncia-se smails), que representam, através dos toques da máquina, reações bem humoradas (ou não!) entre outras. É o caso do : ) que simboliza um sorriso.
Seja claro e evite erros gramaticais.
Facilite a leitura levando em consideração seu público-alvo.
Nunca use 10 palavras para o que pode ser dito em 5. Quanto menor for sua mensagem, mais pessoas a irão ler.
Ao mencionar outra mensagem, relembre o receptor de seu conteúdo, mas não é preciso incluir a mensagem toda.
Subject (pronuncia-se sûbjéct) é a linha onde você indica o conteúdo principal de sua mensagem. Para alguém que tem a caixa postal abarrotada de e-mails (pronuncia-se i-mêials), que são as correspondências via computador, define quais serão lidas ou não. Seja conciso no título para expressar realmente o assunto da mensagem.
Assinatura: Para ajudar o receptor a lhe localizar, coloque junto ao nome seu número de telefone e fax. Evite grafismos rebuscados, que só congestionam os meios de comunicação.
Letra maiúscula supõe que você está gritando ou sendo agressivo. Evite!
Respeite direitos autorais: ao fazer buscas na Net, você pode se utilizar do material para defender suas teorias, mas indique de onde provêm as informações.
Elogie os autores de algo que lhe foi útil na rede.
Não use acentos ou outros recursos gráficos, que podem não ter correspondência em diferentes softwares (pronuncia-se sóftuérs), ou programas de computação.
Lembre-se…
Sigilo em e-mails: Saiba que não há privacidade nos
e-mails. Passe longe do correio eletrônico todos os assuntos que não gostaria de ver publicado nos jornais e nos bate-papos do bar.
8 – Casos Reais
A – “Tenho 18 anos e 2o. grau completo. Quero começar a trabalhar, para depois realizar uma faculdade (ainda não decidi qual). Não tenho experiência alguma: só fiz alguns “bicos”, sem registro em carteira e dos quais não tenho nenhuma carta de referência. Algumas empresas, inclusive, já fecharam. Outros trabalhos, fiz para particulares. Está difícil conseguir alguma coisa. Montar currículo, então, é quase impossível: não tenho nada para colocar nele: só uma linha, a conclusão do 2o. grau. Aceito qualquer coisa. Como é que eu posso fazer?” Francisco José Marquez
O caso de Francisco é mais comum do que se pensa: jovens estudantes, sem experiência, desejando ingressar no mercado de trabalho. Como existe maior demanda (número de pessoas que buscam emprego) do que oferta (postos disponíveis), a competição é dura, mas sempre existe uma saída. Nesse caso, é necessário dividir em duas partes os objetivos: um de curtíssimo prazo (obter um emprego, qualquer emprego, conforme coloca o próprio Francisco) e outro de médio e longo prazo (melhorar o currículo).
Vejamos como pode ficar o currículo do Francisco, para que tenha mais chances de ser chamado para uma entrevista. Lembre-se que, como é jovem, ninguém está esperando que o currículo apresente uma lista de informações extensas, o que, inclusive, pareceria irreal e mentiroso. O melhor é ser honesto, e destacar alguns pontos positivos. Mas que pontos positivos podem ser esses? Eles variam conforme o posto ao qual ele tentará conquistar. Ele poderá começar como auxiliar de serviços gerais ou então vendedor. O cargo de vendedor é interessante, pois as empresas usualmente oferecem treinamento e não exigem experiência. Os ganhos serão proporcionais às vendas efetuadas (comissões) e existem vários setores de atuação: saúde, consórcios, lojas das mais diversas, porta-a-porta etc. Um bom vendedor deve ter domínio da linguagem, boa percepção das necessidades do cliente, saber trabalhar em equipe, ter interesse em estar sempre bem informado e atualizado e possuir uma boa apresentação. São pois, os pontos a serem destacados no currículo, como fatores de personalidade – o próprio currículo deverá transmitir isso, pela apresentação e pela linguagem utilizada. Nesse caso, uma boa estratégia é dividir a folha em três partes: uma, com a carta em que o candidato informa suas pretensões e o que pode oferecer para a empresa; em um box, os dados básicos do currículo, uma última, enfim, com uma referência. Que referência poderá ser? Como não existe referência profissional, pode-se solicitar a referência de um professor – poucos se recusarão a dá-la. Escolha uma disciplina em que tenha participado mais (pode ser educação física, inclusive) e peça um parágrafo curto que relate suas qualidades. Assim, o teor do currículo ganha em credibilidade, pois é uma terceira pessoa que estará falando de você. É bom verificar o nome da pessoa a quem enviar a correspondência. Depois, torne a ligar para tentar marcar uma entrevista. Veja uma possibilidade de apresentação desse currículo.
Repare que o currículo proposto abaixo possui uma diagramação agradável e diferente, com espaços em branco que permitem ao futuro entrevistador, inclusive, tomar algumas notas. Em destaque estão os dados pessoais. De forma discreta, no final da página, a indicação do professor. Note que é o próprio Francisco que tomará a iniciativa de telefonar, mostrando seu dinamismo e responsabilidade: afinal, ele é o primeiro interessado em conseguir a vaga. Algumas pessoas ficam com medo de telefonar, pois receiam receber um “não”. É melhor ouvir logo uma resposta negativa, do que ficar ansioso indefinidamente. Você, no telefone, poderá inclusive, com tato, insistir um pouco mais, dizendo que, mesmo que não vá ser contratado, gostaria de trocar algumas idéias e obter mais informações de como proceder para conquistar uma vaga. Valorize a experiência do entrevistador e escute-o: poucos se recusam a ajudar e você pode aprender muito com quem já está no ramo.
Como ficou:
Currículo
Nome: Francisco José Marquez
Nasc: 08/02/1980
Nat.: Capinzal, SC
End: R. Antônio Dias, 24, apto. 310,
Fpolis, SC
Tel: (048) 23.4567
Escolaridade: 1998 – 2o. grau, Colégio Padre Anchieta, Florianópolis, SC
Florianópolis, 31 de março de 1999
Ao
Fulano de Tal
Ref: Vendas
Prezado Senhor:
Sou jovem, dinâmico e sempre relacionei-me bem com o público. Gostaria de ingressar na área de vendas. Embora sem experiência no setor, tenho certeza que poderei contribuir com sua equipe, integrando-me aos objetivos e metas organizacionais. Espero crescer profissionalmente, aprender muito, dedicando-me intensivamente a aplicar novas técnicas de abordagem e fidelização da clientela, tão necessárias no mundo competitivo de hoje.
Gostaria de marcar uma entrevista pessoal. Entrarei em contato para discutir a possibilidade de um período de experiência.
Atenciosamente,
Francisco José Marquez
“Francisco Marquez sempre foi um aluno dedicado e participativo. Conseguiu desenvolver um excelente trabalho de equipe no time da escola, motivando a torcida. Possui ótimo caráter. É um prazer recomendá-lo para atuar em qualquer empresa que busque jovens talentos .” Prof. João Carlos, Colégio Padre Anchieta, Florianópolis
Atenção!
Francisco não pode se acomodar em simplesmente conquistar um emprego. Precisa melhorar seu currículo, realizando cursos (inclusive a distância), engajando-se em um trabalho comunitário para ampliar sua rede de apoio e desenvolvendo novos contatos, até mesmo trabalhando, durante algum tempo, como estagiário para obter boas referências profissionais. De seus ganhos, assim que obtiver um emprego, deve separar uma quantia para investir em sua capacitação profissional: línguas, técnicas de vendas e liderança, informática etc.
Construa sua própria motivação, sem depender dos outros para estimulá-lo. Assim, você protege-se das adversidades.
B – Ingressando na Política
“Pertenço à 3a. Geração de imigrantes japoneses. Tenho 45 anos, sou casado, 3 filhos. Tenho um restaurante no Bairro da Liberdade, em São Paulo, e sou formado em Administração de Empresas pela FMU. Vim de família humilde e me formei com muito esforço. Durante 11 anos trabalhei em uma grande indústria de alimentos, até conseguir abrir meu próprio negócio. Nunca exerci nenhuma atividade política formal: ingressei nessa área gradativamente, atuando no Diretório Acadêmico da faculdade e depois atuando na Associação Comercial do meu bairro. Também já fui cabo eleitoral. Sou muito diplomático e eficiente para negociar. Amigos, familiares, ex-professores e também os comerciantes locais e amigos do Ceasa vêm me incentivando a entrar para a política. Meu objetivo agora é tornar-me vereador. Acho importante essa contribuição que posso dar, caso eleito. Um de meus melhores amigos possui uma rádio e eu tenho uma perua que utilizo no meu negócio. Tenho partido definido e preciso agora investir no meu marketing pessoal. Como agir?” Heitor Miyasaki
O primeiro passo é analisar o cenário externo. O fato de ser descendente de japoneses não garante que esse público irá votar em Heitor. As pesquisas demonstram que apenas uma pequena porcentagem do eleitorado toma sua decisão de voto tendo por base a etnia. O principal fator decisor é a proposta do candidato (50%). Em segundo lugar, o elemento decisivo é o partido (16,8%). Finalmente, vêm outros fatores: amizade, familiares, etnias etc. Aqui, já descobre-se que Heitor precisará ampliar seu raio de atuação e definir uma boa plataforma. Mas entre definir uma plataforma e fazer com que o público acredite nela vai uma grade distância. Uma pesquisa realizada pelo Jornal da Tarde, de São Paulo, mostra que mais da metade dos eleitores vota sem convicção: a grande maioria utiliza o voto como protesto, voto útil etc. A imagem dos políticos, revelada na mesma pesquisa, também não é muito boa: 34% dos entrevistados acreditam que todos os candidatos são mentirosos, 26% que são corruptos e 15% que são oportunistas. Portanto, Heitor terá quer se preparar para enfrentar uma árdua batalha e muitas críticas, mesmo que ele não seja assim!
Uma análise sobre o futuro candidato mostra alguns pontos fortes a explorar e alguns desafios a serem superados. Entre os problemas, destacam-se a falta de recursos, a falta de experiência política (que pode ser transformada em ponto positivo) e a indefinição quanto à plataforma. Quantos aos pontos positivos, Heitor possui um passado de honestidade, vários contatos no Ceasa e um bom círculo de amizades, com o apoio de comerciantes locais. Cruzando esses dois elementos, recomenda-se definir o público-alvo a ser atingido para incluir pequenos produtores rurais, feirantes e o consumidor final: donas-de-casa, freqüentadoras das feiras e sempre preocupadas com o custo e a qualidade da alimentação da família. Em São Paulo existem 800 feiras regulares.
A estratégia desenvolvida deve ser de alto impacto e baixo custo, levando em conta as informações fornecidas por Heitor. É importante ressaltar que a construção do marketing pessoal não se dá de uma hora para outra: ela é paulatina e deve incluir, nesse caso, o cronograma de exposição do futuro candidato, suas ações, elaboração de proposta, montagem de comitê, captação de recursos etc.
Plataforma
Priorizar produção e distribuição de produtos hortifrutigranjeiros.
Como? Eliminando a figura do atravessador e descentralizando pontos de distribuição.
Por quê? Reduzir custo final do produto.
Realocar pontos de feiras para locais com infra-estrutura básica (terrenos da Prefeitura).
Como? Adaptar locais livres com luz, água, telefones públicos e patrulhamento.
Por quê? Maior segurança aos feirantes e consumidores.
Dignificar a profissão de feirante.
Como? Regulamentar a profissão.
Por quê? Tornar o feirante um profissional reconhecido com todos os direitos das demais classes.
Incentivar o cultivo de hortas escolares e comunitárias
Como? Interagindo com as Associações de Pais, Associações de Bairro e criando comitês de orientação para tais atividades.
Por quê? Realizar um trabalho de impacto social.
Essa plataforma, cujo tema é alimentação mais barata, será sintetizada no slogan “O peso da boa alimentação”, sendo que o símbolo utilizado será um peso de balança. Com essa abordagem, os vários públicos-alvo poderão ser atingidos com eficiência. Agora, Heitor precisa montar seu comitê eleitoral. Nesse caso, deve ser um organograma simples e enxuto: um secretário, um supervisor operacional, um supervisor de marketing, um supervisor financeiro, uma secretária e um office-boy. Os cargos de confiança serão preenchidos com trabalho voluntário de amigos ou familiares. Contratação, somente da secretária e do office-boy. Para sede do comitê, recomenda-se procurar entre os comerciantes locais que o apóiam alguém que lhe ceda uma sala, na qual serão instaladas pelo menos duas linhas telefônicas. O comitê volante será na própria perua de Heitor. Paralelamente ao corpo-a-corpo junto ao eleitorado ocorre a captação de recursos. Podem ser utilizados os tradicionais churrascos, festas ou mesmo a solicitação direta de doações. Outra forma é a venda de bottons e camisetas com o slogan: O peso da boa alimentação. Em um cronograma, definir datas e horários de visitação às escolas, feiras e associações, que se estenderão até o final da campanha. Mensalmente, visita a pelo menos um jornal de bairro, para levar e discutir sua proposta. Não esquecer de incluir no cronograma acompanhamento ao candidato majoritário do partido em eventos de maior porte. Como existe um amigo que possui uma rádio, por que não propor um programa voltado para a plataforma, mas que seja de interesse público e conquiste audiência? O nome pode ser “Bolsa da Feira”, com um quadro informando o produto do dia (o que está mais em conta e na safra); uma dica de aproveitamento de tal produto; um crítica, onde Heitor fará algum comentário sobre um assunto que afete diretamente a população e uma seção de contato, para responder perguntas. Com essas medidas iniciais, aos poucos será construída uma boa imagem com o uso do marketing pessoal para que Heitor torne-se vereador e, com seu trabalho, progrida no plano político.
Adaptado do case elaborado por Cláudia Domingues de Paula Braga e Edna Nakano Lodis, na Fundação Armando Álvares Penteado, SP, com orientação de Ethel Scliar-Cabral
9 – ASSESSORIA PROFISSIONAL: equipe multidisciplinar
Existem muitos profissionais atuando em áreas que são importantes para quem deseja construir um marketing pessoal sólido. Cabe a você decidir e selecionar aquele que é mais apropriado para ajudá-lo. Não tenha medo de conversar muito e buscar várias informações antes de qualquer decisão: afinal, essa pessoa estará atuando diretamente com você, discutindo seus problemas e desafios e tentando encontrar, em conjunto, saídas e alternativas para que você seja bem-sucedido, mais realizado e feliz.
A – Orientador vocacional
O orientador vocacional procura assessorá-lo na escolha da melhor carreira, conciliando tanto as necessidades de mercado quanto suas ambições pessoais, aptidões e habilidades. Hoje em dia, com o surgimento de várias áreas novas, é quase impossível ao cidadão comum conhecer todas as ofertas disponíveis. Um especialista nesse setor abre seus horizontes e amplia suas perspectivas. Ele realiza vários testes e entrevistas para definir setores onde você poderá se desenvolver melhor. Depois, fornece um panorama e traça um cenário da demanda em tais setores. Dependendo do caso, poderá colocá-lo em contato com profissionais desses segmentos, para que você conheça a prática da profissão, exigências e gratificações que obterá. A orientação vocacional não é exclusividade dos jovens: pessoas mais velhas, que desejam redirecionar sua carreira, também estão procurando este tipo de assessoria nos dias de hoje.
B – Psicólogo
Algumas pessoas acreditam que só se deve procurar um psicólogo quando ocorre algum distúrbio mais grave ou um trauma profundo. No entanto, o psicólogo é importante se você deseja se conhecer melhor – ponto fundamental no plano de marketing- ou mesmo superar algumas áreas de dificuldade, tais como excesso de timidez, medo de mudanças, problemas para trabalhar em equipe, ser líder ou até temores específicos, que podem restringir suas possibilidades na carreira profissional, tais como medo de dirigir, medo de voar de avião, medo de ficar sozinho etc. Existem várias linhas de abordagem no tratamento psicológico. Na primeira entrevista, procure conhecer o trabalho que esse importante profissional desenvolve, sua formação, como atua e quais os resultados que se propõe alcançar. Empatia e confiança são dois fatores fundamentais na hora da decisão, pois você exporá conflitos íntimos e áreas problemáticas que talvez ninguém mais conheça. Tudo que você conversa com o psicólogo fica em sigilo, pela ética profissional.
C – Clinico Geral
Alguns problemas que você enfrenta podem estar relacionados com doenças físicas, mas cujos sintomas se confundem ou se perdem na correria do dia-a-dia. O clínico geral faz um check-up completo de suas condições, solicita exames complementares, caso necessário, ou o encaminha para especialistas. Um bom clínico geral é paciente, ouve-o com atenção, não ignora suas suspeitas, responde a todas as dúvidas e orienta-o para agir preventivamente, evitando males maiores.
D – Nutricionista
Cansaço, irritação, falta de concentração, entre outros sintomas, podem ser ocasionados por deficiências alimentares. Uma boa alimentação não significa comer muito, mas sim comer adequadamente e de forma balanceada. Determinados períodos da vida exigem mais alguns nutrientes do que outros. Além disso, é possível que o indivíduo seja alérgico a determinados alimentos sem o saber. O nutricionista realiza um mapeamento do que você precisa e de suas carências nutricionais, investiga as compatibilidades alimentares mais adequadas e prescreve uma alimentação feita sob medida para suas necessidades.
E – Terapia Corporal
Muitas pessoas apresentam problemas de postura, desconhecem o potencial expressivo do próprio corpo ou têm dificuldade de deslocar-se e posicionar-se adequadamente no espaço. Com isso, acabam transmitindo uma mensagem inadequada e perdem boas oportunidades profissionais, sociais e afetivas, além de, a longo prazo, terem problemas de saúde. O terapeuta corporal faz um exame minucioso para identificar desequilíbrios no seu corpo e prepara um programa de ação para corrigir eventuais desvios. Também aqui existem várias linhas de abordagem e trabalho. Alguns optam por massagem, outros por exercícios físicos, fisioterapia ou uma mescla de vários tratamentos. Um bom terapeuta corporal não prometerá milagres e agirá em parceria com você: cada um necessita fazer a sua parte para que os bons resultados sejam obtidos.
Personal Trainer
Até bem pouco tempo, ter um personal trainer (pronuncia-se perssonal treiner) era privilégio dos muito ricos ou famosos. Hoje, existem personal trainers atendendo às mais diversas faixas da população. O personal trainer realiza um programa exclusivamente idealizado para atender às suas exigências de condicionamento físico. Ele acompanha, estimula e corrige-o na realização dos exercícios, aumentando gradativamente o nível de dificuldade. Como é uma assessoria individual, você pode adequá-la as suas disponibilidades de tempo e espaço: fica mais fácil ir até o fim do programa e manter suas metas firmes e vivas, pois com criatividade, o personal trainer adapta as propostas físicas ao seu corpo e à sua personalidade.
12
Um tema atual
Você acaba de concluir o curso de Marketing Pessoal. Como pode descobrir, informação, xperiência, boas referências e uma formação bem construída são muito importantes para que você consiga atingir seus objetivos. Então não perca tempo: acrescente o Certificado de Conclusão desse curso ao seu currículo. Afinal, os cursos a distância do SENAI conquistaram, inclusive, o Top de Marketing, prêmio reconhecido nacionalmente. Para obter o certificado, é simples: telefone para o Senai On Line (a ligação é gratuita: 0800-481212) e marque o dia e local do seu teste. Depois, é só aplicar na prática todos os conhecimentos que adquiriu até aqui.
RECORDANDO
que a pessoa acomode-se em uma determinada situação.
Ser flexível não é sinônimo de falta de convicção: é saber adaptar-se e mudar, crescendo sempre.
A vontade de mudar e enfrentar desafios é inerente ao ser humano, mas tais mudanças devem ser cuidadosamente planejadas.
As novas metas e ações consolidam as conquistas já obtidas. Isso é conseguido com o tempo, a experiência.
Globalização, capitalismo, neo-liberalismo são conceitos criados para descrever mudanças sócio-econômicas.
Na globalização, a tradicional divisão de tarefas que ocorre no chão da fábrica amplia-se e passa a englobar procedimentos que envolvem diversos países.
O Brasil também sofre os efeitos da globalização, que atinge os países mais pobres provocando desemprego, inflação, baixos salários.
Um período de crise exige criatividade, visão, confiança e ousadia para que novas alternativas sejam encontradas.
Qualquer demissão é traumática, mas hoje, ela faz parte do cotidiano de quem está empregado.
Enfrentar uma demissão exige tranqüilidade para obter-se o maior número de benefícios da empresa nesse momento.
É importante contar com o apoio da família e de amigos para restabelecer a auto-confiança, administar melhor o dinheiro e buscar novas fontes de renda na hora do desemprego.
Pessoas que trabalham em funções repetitivas, que podem ser substituídas por máquinas ou profissionais menos qualificados; indivíduos que permenecem estagnados há muito tempo, sem promoções; que não se destacam nas reuniões ou nos resultados obtidos são os mais sujeitos a ingressarem a lista de cortes.
Ao mesmo tempo em que os profissinais buscam se qualificar mais para aumentar suas chances no mercado, também as empresas estão procurando colaboradores para que possam ser mais competitivas.
O conhecimento é fator de extrema importância na implementação de qualquer plano de marketing pessoal. Ele está diretamente relacionado com as informações, tanto àquelas que são recebidas, quanto as que são fornecidas.
Em qualquer momento e em todo lugar, as pessoas são bombardeadas por informações, que precisam ser selecionadas, analisadas e comparadas com outras. Desse processo resultam as tomadas de decisão.
Com boas informações, é possível encontrar novas saídas para os desafios: jamais deve-se ignorar uma informação.
No modelo proposto por A. Moles, existem 7 graus de distanciamento em relação às informações, que vão do completo envolvimento, com reação imedita, até o total alheiamento.
A Internet é um dos mais novos meios de comunicação. Seu bom uso implica na adoção de uma etiqueta própria.
Orientador vocacional, psicólogo, clínico geral, nutricionista, terapeuta corporal e personal trainer são alguns dos profissionais que podem auxiliar os indivíduos a superar dificuldades, seja com tratamento preventivo ou corretivo.
Referências Bibliográficas
Aprenda mais lendo esses livros:
AIDAR, Marcelo Marinho. Qualidade Humana: As Pessoas em Primeiro Lugar. São Paulo, Maltese. S/d.
CARVALHO, Antônio Pires de. Os Empreendedores da Nova Era. S/l. Editora Repro Sul. S/d
CHAPMAN, Elwood N. Atitude: O Mais Valioso de Todos os Seus Bens. São Paulo, Qualitymark. S/d
DUTRA, Joel Souza. Administração de Carreiras. São Paulo, Atlas. S/d
GAYOTTO, Maria Leonor Cunha e Domingues, Ideli. Liderança – Aprenda a Mudar em Grupo. SãoPaulo, Vozes. S/d
KATZENBACH, Jon R. e SMITH, Douglas K. A Força e o Poder das Equipes. São Paulo: Makron Books, s/d
MACHADO, Maria de Lourdes F. Líder 24 Horas. S/l. Best Seller. S/d
MANSUR, Maurício. Marketing Pessoal Passo a Passo. S/l. Sebrae/Autêntica. S/d.
SAVIOLI, Nelson. Carreira:Manual do Proprietário, São Paulo, Qualitymark. S/d
SCOTT-JOB, Derrick. Marketing Pessoal. São Paulo, Best Seller. S/d
SHINYASHIKI, Roberto. A Revolução dos Campeões. S/l. Editora Gente. S/d
SILVA, Fernando Antônio da. Administrando Pessoas. S/l. Negócio Editora. S/d
XAVIER, Ricardo de Almeida Prado e FRANCIATTO, Claudir. Executivo: A Carreira em Transição.
S/l. Editora STS. S/d.
